As peças de teatro de cariz mais arrojado e prontas para desmistificar tabus sexuais parecem estar em todo o lado. De norte a sul do país, têm enchido as salas de espetáculos.
Em “Pénis (uma espécie de) Musical”, Ricardo Castro desempenha o papel do primeiro cidadão português a ser preso por dizer um piropo a uma senhora que passava de patins. A frase “Tudo sobre rodas, maquinão?” leva-o a ficar em casa, detido, com pulseira eletrónica.
O espetáculo vai mais além do que contar a história de um condenado. Trata-se de uma “comédia malandra com músicas malandras”, resume Ricardo Castro ao 24Horas.
Da autoria de Luís Filipe Borges e encenação de Bruna Andrade, “Pénis (uma espécie de) Musical”, estreou em outubro do ano passado no Casino do Estoril. Conta também com as interpretações de Rui Santos e do humorista Dagu. Entretanto, subiu ao palco em cidades como Guimarães, Porto ou Funchal, com forte adesão do público: “As pessoas querem divertir-se. No tempo de corre – guerra na Europa, medo, ansiedade –, as pessoas querem é temas que as libertem, que se sintam identificadas. É esse o sucesso.”
“Mesmo com humor e comédia, abordar determinados temas é uma forma de quebrar tabus”, prossegue Ricardo Castro. O público vai dos 18 aos 65 anos, mas tem algo em comum: a abertura para “falar e explorar assuntos que se calhar há dez anos era impensável falar”.
Um espetáculo como este, prossegue Ricardo Castro, “não é pretensioso e não ensina nada a ninguém. As pessoas têm aderido a um novo género, onde se abordam assuntos que toda a gente pensa, mas sobre os quais ninguém fala”.
Alguns dos exemplos deste fenómeno são peças como “Monólogos da Vagina”, “Swing”, “As vaginas e eu” e “Orgasmos, a comédia”. Estes títulos abordam temas da sexualidade e intimidade de uma maneira “leve e descomplicada”, descreve ao 24 Horas a atriz Sandra Celas.
Protagonista da peça “Orgasmos, a comédia”, que aborda as diferenças entre homens e mulheres e a convivência em casal, Sandra Celas defende que estes assuntos da intimidade e sexualidade “descomplicam-se através da comédia”. “As pessoas estão muito recetivas a rir de si próprias e nota-se que saem leves da sala”, considera a atriz, a propósito do espetáculo em que contracena com Bruno Cabrerizo.
A peça “Orgasmos, a comédia”, com encenação de Luís Pacheco e Oscar Contreras a partir do texto de Dan Israely, estreou em outubro em Oeiras. Tem conquistado um “público de todos os géneros e idades”, com o propósito de “desconstruir a rigidez destes temas através do humor”, aponta Sandra Celas.
Já “Swing”, uma comédia escrita por Henrique Dias e com encenação de Adriano Luz, estará em cena até 29 de junho no Casino de Lisboa. O espetáculo acompanha a história de um casal (interpretado pelos atores Diogo Morgado e Diana Nicolau) que tem tudo, exceto uma vida sexual excitante. Depois da capital, segue em julho para o Porto, Tábua, Figueira da Foz, Aveiro e Leiria.

Teresa Guilherme, que já tinha contracenado com Marta Andrino e Melânia Gomes numa versão de “Monólogos da Vagina”, apresenta-se agora a solo em “As Vaginas e Eu – Tudo o que ficou por dizer”. O espetáculo, com texto da apresentadora e de Miguel Dias, estreou em janeiro no Teatro Armando Cortez, em Lisboa. Desde então tem circulado pelo país. Em maio estará em Vila Franca de Xira, Albufeira e Porto. Ao longo de mais de uma hora, Teresa Guilherme mergulha nas conversas secretas que as mulheres têm entre si sobre as suas relações com os maridos.
Também a nova versão de “Monólogos da vagina”, com encenação de Paulo Sousa Costa e interpretação de Joana Amaral Dias, Maria Sampaio e Sofia Baessa, tem somado apresentações públicas.
Texto: Beatriz Dias