A importância que teve a ida da Coroa portuguesa para o Brasil em 1807, aquando das invasões napoleónicas, foi fundamental para o Brasil e para a formação das suas elites.
Esta é a tese defendida pelo investigador argentino Juan José Borrell que, recentemente, afirmou numa entrevista que aquilo que ele denomina como “herança portuguesa”, foi fundamental para que o Brasil seja o que é hoje: “Toda a elite portuguesa, cerca de 10 mil pessoas, cartógrafos, juristas, almirantes, tesoureiros e financeiros, mudam-se todos para o Brasil”, afirma Borrell, que resume a instalação da Corte portuguesa no Rio de Janeiro como “uma espécie de transplante de cérebros”.
Juan José Borrell considera essa transferência determinante para o que hoje é o Brasil: “O que teria acontecido se Carlos IV e Fernando VII se tivessem mudado com toda a elite castelhana até à Cidade do México? Hoje o México chegava ao Mississippi.” E remata o investigador argentino: “Se não tivesse ocorrido o que ocorreu, hoje o Brasil não passava da costa…”
Estas declarações do académico argentino ganham especial relevância num momento em que o presidente Lula da Silva defendeu que o dia 2 de julho, o dia em que as tropas portuguesas abandonaram o Brasil, seja declarado como feriado nacional.