Dos espelhos ao nervosismo, há deslizes que custam a carta. Saber o que reprova pode ser meio caminho andado para passar à primeira.
O exame de condução é, para muitos, o momento mais tenso de todo o processo de “tirar a carta”. E o caso não é para menos: semanas de aulas, investimento financeiro e ansiedade natural de quem quer ser aprovado jogam-se numa única avaliação prática. Não há segundas oportunidades para passar “à primeira”, pode dizer-se. No entanto, muitos erros que levam à reprovação são perfeitamente evitáveis — e, dado curioso, repetem-se, com frequência, entre candidatos.
De acordo com examinadores e instrutores, um dos erros mais comuns é não fazer a observação correta dos espelhos. Parece um detalhe, mas ignorar os retrovisores antes de mudar de direção ou fazer uma manobra é uma das principais causas de falha imediata. O examinador quer ver movimentos claros de cabeça e atenção constante ao que se passa à volta do veículo. Simular que se olha, sem, de facto, verificar, é facilmente detetado e penalizado.
Cuidado com a embraiagem
Outra falha recorrente é a má utilização da embraiagem, sobretudo nos arranques em subidas. Deixar o carro ir abaixo, não controlar o ponto de embraiagem ou recorrer, constantemente, ao travão de mão pode demonstrar insegurança na condução. As caixas automáticas são comuns, verdade, mas nos exames importa saber manter este “equilíbrio”. Já em circulação, mudar de faixa sem assinalar, não respeitar a sinalização ou não dar prioridade nos cruzamentos são erros clássicos, muitas vezes fruto de distração ou nervosismo.
O excesso de cautela, por incrível que pareça, também reprova. Circular a velocidades muito abaixo das permitidas, parar sem necessidade ou hesitar em demasia nas rotundas e em entroncamentos revela falta de confiança e pode pôr em risco a fluidez do tráfego. A chave está no equilíbrio: conduzir com prudência, mas com assertividade.
Da teoria à prática
As manobras, inevitavelmente, são outro campo minado. Estacionar, fazer inversões de marcha ou recuar em linha reta exige prática — e muitos candidatos falham por não treinar o suficiente em contexto real. O espaço controlado das aulas pode criar uma falsa sensação de domínio que se esvanece quando se está num bairro apertado, com carros à volta e um examinador atento ao lado.
Finalmente, o comportamento geral do candidato conta. Falar ao telemóvel, não colocar o cinto, arrancar com portas mal fechadas ou não ajustar devidamente o banco e os espelhos no início da prova são lapsos que transmitem desleixo ou despreparo. E nenhum examinador gosta de ver um condutor ignorar os fundamentos básicos de segurança.