O médico e antigo deputado da Assembleia da República pelo PSD, Salvador Massano Cardoso, escreveu uma carta onde arrasa o Governo.
No longo texto, Massano Cardoso começa por referir que tem 74 anos e que sofre de diabetes mellitus. Mas salienta que a “formação, conhecimento e, sobretudo, experiência” que tem lhe permitem cuidar de si próprio: “Monitorizo a minha glicemia com sensores. Ajusto a insulina. Cuido de mim. Continuo a exercer, a ensinar, a produzir — e a viver com saúde. Hoje, antes de almoçar, medi os valores através do meu sensor. Estavam normais. Escolhi bacalhau à lagareiro. Calculei os hidratos de carbono, injetei cinco unidades de insulina rápida. Sentei-me à mesa. E, ainda antes de pegar nos talheres, soube com quase toda a certeza: não morrerei de diabetes, nem das suas complicações.”
O médico catedrático reconhece que ter acesso à “tecnologia, à terapêutica certa e ao conhecimento clínico” o ajudam, mas salienta que “milhares de doentes em Portugal não têm essa sorte” e continuarão sem a ter por culpa do Governo.
“A recente decisão que restringe a prescrição de sensores de glicose intersticial e de agonistas dos recetores GLP-1 a apenas quatro especialidades (endocrinologia-nutrição, medicina interna, pediatria e medicina geral e familiar) é um insulto à classe médica, uma afronta à ciência, uma limitação absurda e injustificada”, escreve Massano Cardoso.
Neste segmento de dispositivos e medicamentos incluem-se o Ozempic e o Mounjaro, desenvolvidos para tratar a Diabetes tipo 2, mas que também são usados para tratar a obesidade.
Para o professor catedrático, a restrição a quatro especialidades médicas da prescrição de injetáveis e sensores para diabetes é “discriminatória”, “injusta” e “desumana”.
Massano Cardoso salienta que nem todos os doentes têm capacidades financeiras para comprar os sensores e que há portugueses, que vivem no interior do País, que não têm acesso regular a médicos especialistas.
“Dizer que não se pode prescrever um sensor porque se é médico ‘da especialidade errada’ é um atentado à razão, à justiça e à saúde pública. É tratar os médicos como funcionários de formulário e os doentes como números”, garante.