O cenário é desolador e os números confirmam um drama sem precedentes: em apenas um ano, foram contabilizados 23.180 incêndios na Europa, Médio Oriente e Norte de África. Uma nova imagem de satélite do programa Copernicus expõe a cicatriz profunda deixada por este surto de chamas em 2025, revelando uma distribuição de focos de incêndio que parece não dar tréguas a estes territórios.
A pressão sobre os ecossistemas e as populações atingiu níveis alarmantes. Segundo o relatório do Joint Research Centre (JRC), a fúria do fogo consumiu uma área total de 2.242.195 hectares. Este valor representa um crescimento trágico de 20% face ao ano anterior e é cerca de duas vezes e meia superior ao registado em 2023, sublinhando uma tendência de destruição acelerada.
A nível nacional, os números de 2025 são particularmente alarmantes: Portugal registou 999 incêndios que consumiram uma área de 284.012 hectares. Este valor representa o dobro da área ardida no ano anterior, tornando 2025 o segundo pior ano desde 2010 no país, apenas superado pelo trágico ano de 2017.
Juntamente com Espanha, Portugal foi responsável por quase metade de toda a área ardida na União Europeia, enfrentando simultaneamente 22 grandes incêndios que deflagraram em agosto, durante uma onda de calor extrema. As regiões Norte e Centro foram as mais fustigadas, evidenciando uma pressão sem precedentes sobre o dispositivo de combate e a urgência de reformular as estratégias de prevenção florestal
Os dados do Sistema Europeu de Informação sobre Incêndios Florestais (EFFIS) não deixam margem para dúvidas: o número avassalador de ignições exige uma resposta urgente. Para investigadores e autoridades, estas estatísticas são mais do que números; são o reflexo de uma emergência climática e territorial que coloca em causa a segurança e a recuperação das zonas mais afetadas, tornando imperativas medidas de prevenção mais drásticas.