Tadej Pogačar é mais um nome que figura na galeria dos imortais do ciclismo. Com apenas 26 anos, Pogačar já conquistou cinco grandes Voltas: quatro Tour de France e um Giro d’Itália. Oito ‘Monumentos’: quatro Il Lombardia, três Liège-Bastogne-Liège e dois Tour de Flandres. Para além de diversas clássicas de um dia: como por exemplo, uma Flèche Wallonne e três Strade Bianche. E ainda provas de uma semana como o Tirreno-Adriático que venceu por duas vezes e o Paris-Nice que venceu uma vez.
Mas como é que Pogačar se tornou uma lenda do ciclismo aos 26 anos? Nasceu na vila de Klanec, Eslovénia, a 21 de setembro de 1998. E é o terceiro de quatro irmãos. Antes de se iniciar no ciclismo, Pogačar, como muitos outros jovens, começou no futebol. Mas foi por querer seguir as pisadas do seu irmão Tilen que acabou em cima de uma bicicleta. Só aos nove anos é que Pogačar começou a treinar porque no clube Rog Ljubljana (onde se iniciou no ciclismo) não havia bicicletas para o seu tamanho. Depois de se especializar em mecânica no secundário, Pogačar deixou para trás os estudos em gestão do desporto para se focar definitivamente no ciclismo.
Após os resultados promissores nos escalões de formação, Pogačar deu o salto em 2019. Assina pela UAE Team Emirates onde desde cedo mostra serviço. Em maio de 2019 começa a bater recordes: tornou-se o mais jovem ciclista a vencer uma prova por etapas do UCI World Tour – a principal série de competições de ciclismo masculino – ao conquistar a Volta à Califórnia. Na mesma temporada estreia-se em Grandes Voltas ao participar na Vuelta a España. E engane-se quem pense que o jovem, então com 19 anos, se iria deixar intimidar. Pogačar não só fez pódio na classificação geral (terceiro lugar) como venceu três etapas e levou para casa a camisola de vencedor da juventude.

A conquista do primeiro Tour
Em 2020 Pogačar estreia-se no Tour de France. Depois de altos e baixos, ‘Pogi’ “rouba” a camisola amarela ao seu compatriota e rival Primož Roglič na penúltima etapa. Pogačar vence o Tour no seu ano de estreia. Juntou-se a Eddy Merckx como os únicos ciclistas a vencer a classificação geral, a da montanha e a da juventude numa só edição. E há mais, tornou-se ainda o segundo vencedor mais jovem de sempre da Volta a França ao vencer com 21 anos e 365 dias. Apenas sendo batido por Henri Cornet que venceu a segunda edição, em 1904, com 19 anos e 352 dias.
Pogačar conquistou o coração dos amantes do ciclismo com o seu estilo destemido, ofensivo e sempre de sorriso no rosto (mesmo em cima da bicicleta). Em 2021, vence novamente o Tour e ainda ganha os seus dois primeiros ‘Monumentos’ (Liège-Bastogne-Liège e Il Lombardia). Ninguém ousava dizer que o jovem prodígio não iria dominar ‘La Grand Boucle’ por anos a fio depois de se ter tornado o mais jovem bicampeão da Volta a França. No entanto, Jonas Vingegaard (ciclista da Jumbo-Visma) tinha outros planos.
Tadej Pogačar viria a ficar em segundo no Tour nos dois anos seguintes, com o dinamarquês a mostrar-se superior. E, apesar do esloveno ter vencido por mais duas vezes a Il Lombardia, por uma vez o Tour de Flandres e algumas outras clássicas de um dia, ficava um sabor amargo. Em 2024 Pogi vinha com sede de vingança para reconquistar o Tour.
Ainda antes da Volta a França, e pela primeira vez na carreira, o esloveno participa na Volta a Itália. Pogačar não só ganha a prova, com quase 10 minutos de avanço, como ainda vence umas impressionantes seis etapas.
Já no Tour de France de 2024, Pogačar começa hesitante e, apesar de tentar fazer a diferença, age com muita cautela. Talvez com receio de que o seu rival Vingegaard contra-atacasse como nas duas últimas edições. Certo é que, com o desenrolar da Volta, ‘Pogi’ foi-se soltando e ganhando confiança. Vence o Tour com mais de seis minutos para o dinamarquês e ainda soma outras seis vitórias em etapas. Fez a primeira dobradinha — vencer a Volta a Itália e a Volta a França no mesmo ano — desde Marco Pantani em 1998.

Como se não bastasse, Pogačar, na mesma época, venceu mais dois Monumentos: a segunda vitória na Liège-Bastogne-Liège e o tetra na Il Lombardia. Para fechar o ano em grande, faltava uma coisa: o campeonato do mundo de fundo que se realizaria em Zurique, Suíça. Numa exibição categórica com um ataque a mais de 100 quilómetros da meta, o esloveno torna-se campeão do mundo.
Depois daquela exibição de força, nem o próprio Merckx ficou indiferente: “O que Pogačar fez é verdadeiramente incrível”, disse o belga ao Le Parisien. “Quando atacou, tão cedo, comecei a temer por ele. Em condições normais, é impossível ter sucesso com um ataque a 100 quilómetros, mas ele conseguiu”, acrescentou a lenda do ciclismo de 79 anos. Com esta conquista, Pogačar juntou-se a Merckx e a Stephen Roche como o terceiro ciclista da história a vencer o Giro, o Tour e o Campeonato do Mundo de fundo na mesma temporada.
A história repete-se em 2025
Em 2025 o domínio do prodígio esloveno continua. Vence mais dois ‘Monumentos’: a Liège-Bastogne-Liège, e o Tour de Flandres. E soma o seu 4.º Tour de France, conquistando quatro etapas, igualando o britânico Chris Froome em vitórias na competição francesa. Pogačar fica agora a apenas um ‘Tour’ de igualar Eddy Merckx, Jacques Anquetil, Bernard Hinault e Miguel Indurain como os maiores vencedores da prova.
Pogačar soma vitórias atrás de vitórias, recordes atrás de recordes. As vitórias dominadoras, seja em clássicas de um dia ou em grandes voltas, tornam inevitável a comparação entre o jovem prodígio e Merckx. Com uma carreira ainda tão longa pela frente há uma pergunta que qualquer amante de ciclismo faz: conseguirá Pogačar destronar o reinado de Merckx como o melhor ciclista de sempre?