Um ataque nas escritórios da liga de futebol americano (NFL), em Nova Iorque, que resultou em quatro mortos, volta a relançar o debate sobre as sequelas da prática deste desporto nos jogadores.
O autor do ataque foi Shane Tamura, de 27 anos. Pôs termo à vida após a matança. Deixou uma carta a culpar a própria NFL por uma lesão cerebral que possuía – a encefalopatia traumática crónica (ETC). A polícia de Las Vegas, cidade onde o homem vivia, já confirmou que o suspeito do ataque, que nunca praticou futebol americano ao mais alto nível, tinha um histórico ligado a questões de saúde mental.
O que é a ETC e qual a ligação que tem com a NFL?
A ETC é uma doença cerebral causada por várias pancadas na cabeça, mesmo que fracas. Tem sido identificada principalmente em atletas de desportos de contacto, como, por exemplo, futebol americano, boxe e rugby. Pessoas que sofram traumatismos cranianos também podem ser vítimas desta condição.
A ETC afeta o funcionamento do cérebro ao longo do tempo e pode provocar alterações de humor, perda de memória, dificuldade de concentração, comportamento agressivo, depressão e, em estágios avançados, demência. No entanto, os sintomas só aparecem anos depois da exposição aos impactos.
Na carta de despedida, o atirador da NFL pediu que o seu cérebro fosse examinado para encontrar sintomas da ETC, pelo que Shane Tamura se suicidou com um disparo no peito. A ETC só pode ser diagnosticada com certeza após a morte, através da análise do tecido cerebral.
Heather Anderson, que jogava futebol australiano, suicidou-se em novembro de 2022 com apenas 28 anos e foi o primeiro caso de uma atleta feminina com ETC depois da sua família ter doado o seu cérebro ao Australian Sports Brain Bank.
Outro exemplo é o de Muhammad Ali. Apesar de nunca ter sido diagnosticado com ETC, muitos especialistas acreditam que o seu Parkinson foi uma consequências das várias pancadas que o lendário boxer sofreu na cabeça.