SÓ OS RICOS PODEM PAGAR TRATAMENTOS PARA COMBATER A OBESIDADE?

Num país em que metade da população é considerada obesa, os medicamentos não são comparticipados e as filas da SNS não permitem às pessoas realizarem rapidamente cirurgias bariátricas. Quanto custa todo este procedimento no privado?

A obesidade é reconhecida como uma doença pela Organização Mundial da Saúde (OMS) há 21 anos. Apesar de ser uma realidade para mais de metade da população portuguesa acima dos 16 anos, não é fácil de combater para quem tem baixo poder de compra.

As primeiras e essenciais medidas para perder peso envolvem uma alimentação saudável e a prática de exercício físico. Em algumas situações são até prescritos medicamentos para o tratamento da obesidade.

Em Portugal existem apenas quatro fármacos destinados ao combate à obesidade, mas não são comparticipados pelo Serviço Nacional de Saúde (SNS).

Os únicos medicamentos que o SNS comparticipa são os destinados a tratamento de diabetes tipo dois, que são também eficazes na perda de peso. Contudo, as pessoas obesas que quiserem obter estes medicamentos com desconto, precisam igualmente de ser diabéticos.

Em situações de obesidade mórbida existe a possibilidade de realizar-se uma cirurgia metabólica e bariátrica. Nestes casos, o SNS comparticipa a 100%. No entanto, devido às listas de espera, muitas pessoas preferem ir ao privado.

A sleeve gástrica e o bypass gástrico são as cirurgias mais realizadas nos hospitais. No privado, o custo destas intervenções pode ultrapassar os oito mil euros.

Há quem opte pelo balão intragástrico, ou seja, um balão inserido por via endoscópica, através da boca e retirado depois de seis meses pelo mesmo local. Num hospital privado este procedimento pode chegar aos quatro mil euros.

Antes de efetuar qualquer um destes procedimentos, é necessário realizar consultas, exames e analises. Mais uma conta a pagar nas clínicas e hospitais privados. De acordo com as tabelas de preços consultadas pelo 24Horas, na zona de Lisboa, as consultas variam entre os 35 e os 221 euros, as análises entre os 0,30 e os 15 euros e os exames entre os 23 e os 440 euros.

Dependendo da cirurgia, o paciente pode ficar internado um a cinco dias. Na capital, os mais conhecidos hospitais privados cobram entre os 210 e os 570 euros a diária.

Contas feitas, entre medicação para tratamento da obesidade e a realização da cirurgia no particular, um doente poderá gastar, pelo menos, dez mil euros. Um valor acessível a poucos.