Contrariamente à generalidade dos portugueses, os cinco administradores-executivos da Associação Mutualista Montepio não têm por que temer o dia em que, por força da idade, se verão obrigados a reformar-se.
É que, a menos de seis meses do fim do seu mandato (termina no próximo mês de dezembro), a equipa de gestores presidida por Virgílio Lima, e formada por Idália Serrão, João Carvalho das Neves, Rui Matos Heitor e Fernando Centeno Amaro, conseguiu acautelar o futuro, assegurando um valor mensal para as suas reformas superior a 50 mil por mês.
Ao optarem pela modalidade do chamado ‘benefício definido’, em vez da habitual ‘contribuição definida’, e de terem determinado que o cálculo usado para estipular a reforma mensal se basearia na multiplicação por dois do valor do último salário auferido, os administradores-executivos daquela associação mutualista, que recebem ordenados entre 27 e 32 mil euros, garantiram a si próprios reformas superiores aos 50 mil euros mensais.
A decisão, validada pela Comissão de Vencimentos, que curiosamente anda não distribuiu a respetiva ata, está a agitar a Associação Mutualista Montepio, cuja ‘saúde financeira’ tem vindo ultimamente a ser posta em causa, nomeadamente pela auditora PwC, que manifestou reservas e preocupações sobre a avaliação de ativos, capitais próprios e resultados líquidos consolidados da associação liderada por Virgílio Lima.