MODELOS VIRTUAIS SÃO O “NOVO NORMAL” NA MODA?

A indústria da moda assiste a uma transformação acelerada com a ascensão das modelos virtuais criadas por inteligência artificial (IA). O recente caso da campanha da Guess, publicada na revista Vogue, reacendeu o debate: será a IA uma aliada criativa ou uma ameaça ao futuro dos profissionais do sector?

A polémica ganhou força após a divulgação de imagens de modelos digitais na Vogue, levando a uma onda de críticas e até cancelamentos de assinaturas. Para muitos profissionais, a substituição de modelos reais por figuras geradas por computador representa uma perda de autenticidade e de oportunidades de trabalho. “A moda sempre foi sobre pessoas, diversidade e expressão individual. A IA pode criar imagens perfeitas, mas falta-lhes alma”, afirmou um agente de modelos ouvido pela BBC.

Por outro lado, há quem veja nesta tecnologia uma oportunidade para inovar. Defensores argumentam que a IA permite personalizar campanhas, reduzir custos e até minimizar desperdícios na produção. Anna Wintour, editora-chefe da Vogue, reconheceu que “os modelos digitais podem tornar-se o novo normal”, sublinhando o potencial criativo da ferramenta.

Estudos recentes indicam que o uso de IA na moda cresceu 25% nos últimos anos, sobretudo em áreas como análise de tendências e produção sob medida. No entanto, a maioria dos consumidores manifesta preocupação com a autenticidade e a representatividade das imagens digitais.

O futuro da moda parece inevitavelmente ligado à inteligência artificial. Resta saber se o setor conseguirá equilibrar inovação tecnológica com a valorização do talento humano, preservando a essência criativa que sempre definiu a moda.