Soldados ligados ao Estado Islâmico (ISIS) estão a decapitar cristãos e a queimar igrejas e casas na África Central e Meridional, de acordo com observatórios internacionais. “É um genocídio silencioso” garantem. Muitos dos ataques brutais estão a acontecer em Moçambique, na província de Cabo Delgado.
Em exclusivo ao 24Horas, o embaixador António Martins da Cruz critica a falta de atenção da opinião pública internacional: “É muito mais grave a situação no Sudão do que em Gaza. Ninguém fala dos problemas de África.”
O ex-ministro dos Negócios Estrangeiros defende que Portugal tem de dar mais atenção a este problema “muito grave”: “Portugal devia dar mais importância àquilo que se passa em África, onde nós estivemos por 500 anos e onde temos cinco países que falam português, do que em Gaza.”
Para António Martins da Cruz, os ataques ao Norte de Moçambique são facilitados pela falta de segurança na fronteira da Tanzânia: “Não estou a dizer que a Tanzânia os protege, mas deixa-os passar, porque, quando há algum acontecimento, eles refugiam-se na Tanzânia. Depois, aquilo que está a acontecer no norte de Moçambique está a impedir o país de explorar as reservas de gás. E essas são as terceiras maiores do mundo, depois de Rússia e Qatar.”
O embaixador deixa implícito interesses políticos neste conflito, até porque permite que “os preços dos outros que estão a explorar gás estejam mais altos”. A explicação? Para Martins da Cruz é o facto da “responsável da política externa europeia, a senhora Kallas, ser de um país báltico: “Está obcecada com o que se passa na Rússia e na Ucrânia.”
No final da entrevista ao 24Horas, o embaixador ataca a escolha de Kallas liderar a política externa europeia: “É uma máquina de guerra contra a Federação Russa, ignorando aquilo que se passa noutras geografias, sobretudo em África.”
Entre 20 e 28 de julho, recorde-se, uma onda de ataques terroristas mataram e decapitaram nove cristãos, em três distritos de Cabo Delgado.
A ONU informou ainda que, em junho, ataques de insurgentes nessa província forçaram mais de 46 mil pessoas a abandonar as suas casas, num espaço de oito dias.