A IWC Schaffhausen está em alta. Depois de conquistar o Grande Prémio de Relojoaria de Genebra em 2024 com o impressionante ‘Portugieser Calendário Perpétuo’, a marca suíça continua a afirmar-se no universo da alta relojoaria. Este ano, já apresentou novos modelos que reforçam a sua identidade, incluindo uma nova versão da icónica linha ‘Pilot’, usada por Brad Pitt nas filmagens do aguardado filme ‘Fórmula 1’.
O 24Horas viajou até Schaffhausen, no norte da Suíça, para conhecer de perto esta luxosa marca de relógios.
Tudo começou em 1868, quando o engenheiro norte-americano, Florentie Ariosto Jones decidiu fundir a International Watch Company (IWC). Numa época em que a relojoaria suíça se distinguia pelo trabalho artesanal minucioso, os Estados Unidos já dispunham de maquinaria moderna para produção em série.
A visão de Jones era ambiciosa: unir a precisão e o cuidado artesanal suíço à eficiência industrial norte-americana, criando relógios de bolso de alta qualidade destinados ao mercado dos Estados Unidos da América.
Com vista para o rio Reno, Schaffhausen foi o local escolhido para erguer a sede da IWC. A cidade oferecia uma vantagem estratégica: centrais hidráulicas que forneciam energia mecânica, essencial para alimentar toda a produção.
Em 1880, Florentine Ariosto Jones regressou aos EUA e a IWC passou para as mãos da família Rauschenbachs. Sob a nova administração, a marca entrou numa fase de inovação, produzindo os seus primeiros relógios digitais e expandindo a sua presença muito para além do mercado norte-americano.
Mais de 150 anos depois, a história continua viva no museu situado no mesmo edifício histórico da sede. O espaço conduz os visitantes que por aqui passam através da linha do tempo que combina peças raras, documentos originais e modelos icónicos que marcaram diferentes eras da relojoaria.
Entre as vitrinas, destacam-se os primeiros exemplares das cinco coleções que ainda hoje definem a identidade da marca: Pilot, Portugieser, Ingenieur, Aquatimer e Portofino.





ORIGENS DAS COLEÇÕES
Com a morte de Johannes Rauschenbach, a liderança da IWC passou para Ernst Homberger. Foi durante a sua gestão que nasceram as duas primeiras linhas de relógios da marca. Em 1936, surgiu o ‘Special Pilot’s Watch’, inspirado nos filhos de Homberger, entusiastas da aviação. Três anos depois, em 1939, a pedido de dois comerciantes portugueses, foi lançado o ‘Portuguieser’ um relógio de pulso de grande dimensão com a precisão de um relógio de bolso.
Quando Homberger morreu, o comando passou para o seu filho, Hans Ernst. Em 1955, a IWC apresentou o primeiro ‘Ingenieur’, equipado com corda automática e proteção contra campos magnéticos, pensado para profissionais expostos a este tipo de interferências. Já em 1967, numa altura em que o mergulho desportivo ganhava popularidade, lançou o ‘Aquatimer’, resistente em até 200 metros de profundidade.
Foi também sob a sua direção que nasceu o ‘Da Vinci’, o primeiro relógio de quartzo da IWC e, portanto, o primeiro movido a pilhas. Apesar do sucesso inicial, esta linha seria descontinuada em 2018.
Nos anos 70 a relojoaria suíça enfrentou uma crise sem precedentes. O preço do quilo do ouro disparou de 5 mil para 50 mil francos, e a popularização dos relógios de quartzo abalou profundamente o setor, levando muitas empresas à falência. Em 1978, Hans Ernst decidiu vender a IWC por 3,5 milhões de francos ao grupo alemão VDO.
Com Günter Blümlein como novo CEO, a marca manteve-se fiel à relojoaria mecânica. Sob a sua liderança, e recuperando gradualmente espaço no mercado, foi introduzida a linha ‘Portofino’, reforçando a aposta em modelos elegantes e intemporais.
No início do século a IWC passou a integrar o grupo Richemont, grupo que reúne várias marcas de luxo como a Cartier, Monteblanc e Jaeger-LeCoultre, onde permanece até aos dias de hoje, liderados por Christoph Grainger-Herr.

A NOVA MANUFAKTURZENTRUM
Ainda no edifício da sede, no segundo andar, realiza-se a delicada montagem da maquinaria de cada relógio, um trabalho de extrema precisão que só permite funcionários com boa visão e atenção minuciosa a cada detalhe.
Mas é fora do centro de Schaffhausen que se encontra a verdadeira manufatura. Este edifício de dois andares, com 13.500 metros quadrados, foi erguido em apenas 21 meses e inaugurado em 2018, acolhendo atualmente cerca de 250 funcionários.
É aqui que nascem cerca de 1.500 componentes diferentes, produzidos com rigor absoluto. Algumas peças são tão pequenas que exigem o uso de microscópio para serem manuseadas.
Usinagem, limpeza das maquinarias, gravação a laser, são apenas algumas das técnicas dominadas pelos relojoeiros da casa. Do início ao fim, a criação de um relógio IWC pode demorar cerca de um ano, num processo que combina engenharia de ponta e artesanato de excelência.
A visita termina com um olhar para o futuro. Entre as novidades que a IWC prepara para 2025, destaca-se o ‘Ingenieur Automatic 40’ fabricado com 18 quilates de ouro, reforçando a presença desta coleção no segmento de alta relojoaria. Um modelo que mantém a assinatura técnica da marca, agora aliado a um material de maior valor, e que simboliza a continuidade de uma história iniciada há mais de século e meio em Schaffhausen.