José Manuel Torres Couto, de 78 anos, revelou nesta terça-feira, dia 11, em entrevista exclusiva à TVI, os detalhes do acidente que o deixou tetraplégico. O fundador e primeiro secretário-geral da União Geral de Trabalhadores (UGT) contou que tudo aconteceu no final de outubro, na A2, a autoestrada que liga Setúbal a Lisboa, quando o carro em que seguia com a mulher foi abalroado por um BMW a cerca de 180 km/h.
“Eu estava na faixa do meio e começou a chover imenso. Quem ia a conduzir era a minha mulher, e eu até lhe disse para abrandar, mas ela ia a 90 km/h. Nesse instante, um BMW perdeu o controlo e veio bater na nossa traseira. Deslizámos em piões…”, recordou o histórico dirigente sindical.
Apesar de usar o cinto de segurança, o impacto foi tão violento que lhe causou uma lesão irreversível. “No momento em que batemos, senti que foi o cinto que me prendeu e fiquei logo tetraplégico.”
Torres Couto contou ainda que, ao ser socorrido, foi surpreendido pela presença do condutor que provocou o acidente. “Ao entrar na ambulância, o indivíduo que causou tudo aproximou-se e pediu-me desculpa.”
Emocionado, o ex-dirigente confessou que, no início, pensou que não resistiria. “Pensei que morreria naquele instante. Ao princípio, a minha vontade era morrer, mas desde então faço tudo com dor, com lágrimas, com um sofrimento horrível para tentar recuperar os meus movimentos. Tento lutar, porque a minha família está desesperada com a situação em que me encontro.”