Entre os sons delicados dos bilros e o cruzar minucioso dos fios, persiste em Vila do Conde uma tradição com séculos de história que resiste ao tempo: as rendas de bilros. Num momento em que muitas artes manuais tradicionais enfrentam o risco de desaparecer, o município quer garantir que esta herança cultural não se perde e seja reconhecida pela UNESCO como Património Imaterial da Humanidade.
A candidatura será apresentada com o apoio da Associação para a Defesa do Artesanato e Património de Vila do Conde (ADAPVC), que assegurou o financiamento necessário para o processo. Atualmente, as rendas de bilros já constam entre os candidatos ao Inventário Nacional do Património Cultural Imaterial, etapa fundamental antes da submissão à UNESCO. Segue-se agora a implementação de um plano de valorização e promoção desta arte tradicional.
Com raízes que remontam ao século XVI, acredita-se que a técnica tenha chegado à costa portuguesa através de marinheiros do norte da Europa. Rapidamente, as mulheres de Vila do Conde adaptaram o método e criaram padrões próprios, conferindo-lhe identidade local. No século XVII, o ofício ganhou força e tornou-se fonte de rendimento para muitas famílias, com as rendas a conquistarem fama nacional e internacional, sobretudo após a sua apresentação na Exposição Universal de Paris de 1867.
Desde então, o saber das rendeiras tem sido passado de geração em geração, preservando-se nas mãos habilidosas de quem continua a dominar a arte de entrelaçar os fios com bilros de madeira.
Se a candidatura for bem-sucedida, as rendas de bilros de Vila do Conde juntar-se-ão a outras expressões culturais portuguesas já inscritas na lista da UNESCO, como o Fado (2011), o Cante Alentejano (2014), a Falcoaria (2016) e o Carnaval de Podence (2019).