Ljubomir Stanisic, de 47 anos, está a viver um verdadeiro pesadelo na cozinha, depois de o seu restaurante 100 Maneiras, em Lisboa, ter perdido uma Estrela Michelin, em 2025. Na sequência do desaire, o chef, que vivia um período financeiro bastante positivo, confessa a perda de cerca de 40% da faturação mensal.
Ljubomir Stanisic tenta adaptar-se à (nova) vida com os bolsos mais vazios: “Eu próprio estou a passar por essa crise, porque pago contas e não chego ao break even (ponto em que as receitas totais de uma empresa se igualam aos seus custos totais), no final de mês. Por isso, tenho de me reinventar. Tenho de fazer conceitos que tragam mais pessoas. Por isso, o que estamos a fazer é tentar sobreviver no meio de um lago de m**** onde estamos todos.”
E como um desastre nunca vem só, o polémico chef nascido na Jugoslávia enfrentou alguns problemas com o próprio staff. “Perdi alguns empregados que fogem quando se perde uma estrela, que não são leais. O resto continua tudo igual, sem medo nenhum”, garantiu, em entrevista ao Observador.
Sobre os motivos que o levaram a perder a estrela, Ljubo, como também é tratado entre amigos, não tem dúvidas de que não foi por baixar a qualidade, mas, sim, por falar demais. O chef refere-se à conversa que teve com Daniel Oliveira, no programa ‘Alta Definição’, da SIC, onde referiu que “a estrela Michelin é como o Dodot, serve para limpar o cu”: “Dá estatuto, é útil, mas agora só serve para pagar contas.”
Ljubomir Stanisic recorda que, após a emissão do programa, foi “avisado por 20 chefs que ia perder estrela”. Apesar de querer recuperar a distinção, o chef não vai correr atrás do prejuízo: “Também não vou chupar p*** a ninguém. Hoje em dia, para teres uma, duas ou três estrelas, acho que é mais importante tu conheceres pessoas certas, estares no momento certo e com gente certa. Eu não sou esse tipo de pessoa.”
Este não é o primeiro desafio que Ljubo enfrenta a nível profissional. Recorde-se que, em 2008, o chef passou por um momento difícil quando o restaurante 100 Maneiras, então em Cascais, que tinha em sociedade com José Avillez, faliu. As divergências entre os dois ditaram o fim do negócio e a antiga estrela da TVI e da SIC ficou com o espaço e com as dívidas… no valor de meio milhão de euros.
Também a sua saída da estação de Queluz de Baixo para a rival de Paço de Arcos, com quem manteve um contrato até ao verão deste ano, lhe trouxe dissabores. A TVI exige mais de 1 milhão e 200 mil euros de indemnização ao chef por ter, alegadamente, quebrado o vínculo contratual sem justificação.