A população do lince-ibérico registou um “crescimento espetacular” na última década, mas continua em risco, advertiu o coordenador do programa de conservação LIFE LynxConnect, Javier Salcedo.
Segundo o censo de 2024, realizado pelas entidades espanholas e portuguesas envolvidas no programa, a população total de linces na Península Ibérica atingiu 2401 indivíduos – um crescimento de 19% face ao ano anterior.
Deste total, foram identificados 1557 adultos ou sub-adultos e 844 crias nascidas em liberdade em 2024, evidenciando a elevada taxa de fecundidade registada este ano. As fêmeas reprodutoras contabilizadas foram 470, mais 64 do que no ano passado.
Este crescimento consolida uma recuperação impressionante: no início do século XXI, a espécie rondava menos de 100 indivíduos em liberdade.
Apesar deste progresso, os especialistas lembram que a espécie continua vulnerável. Segundo Javier Salcedo, para alcançar um “estado de conservação favorável” será necessário atingir entre 4500 e 6000 exemplares na Ibéria, incluindo, pelo menos, 1100 fêmeas reprodutoras.
Mesmo com a melhoria estatística, continuam a existir desafios estruturais graves, como a perda de habitat, a redução da presa principal devido a doenças e alterações ambientais, e a mortalidade em estradas, frequentemente por atropelamentos.
De acordo com os dados mais recentes, a população está agora distribuída por diversos núcleos em Espanha e Portugal, e o lince-ibérico ameaça ultrapassar, em número, o outro grande predador de grande porte da Península: o lobo-ibérico.