A TAP Air Portugal prepara-se para retirar de operação quase toda a sua frota de Airbus 320. A medida veio de uma decisão da Airbus para atualizar de forma urgente o software de controlo destes modelos de aviões.
“Estamos a acompanhar a situação, como sempre tendo como prioridade máxima a segurança dos nossos passageiros e tripulações”, lê-se no comunidado da companhia aérea portuguesa.
“A Airbus trabalhou proativamente com as autoridades de aviação para solicitar ação preventiva imediata dos operadores por meio de uma Transmissão de Alerta aos Operadores (AOT, na sigla em inglês), a fim de implementar a proteção de software e/ou hardware disponível e garantir a segurança de voo da frota. Esta AOT será refletida numa Diretiva de Aeronavegabilidade de Emergência da Agência Europeia para a Segurança da Aviação (EASA)”, refere ainda.
A Airbus determinou que uma parte significativa da família A320, incluindo A319, A320 e A321, terá de receber uma atualização imediata de software, operação que abrange cerca de seis mil aeronaves em serviço a nível mundial. O procedimento deve ser concluído antes de cada voo regular, o que poderá originar atrasos ou cancelamentos de voos em todo o mundo.
A fabricante justificou a decisão com um incidente recente: um A320 sofreu falhas durante um voo da JetBlue, entre Cancún e Newark, a 30 de outubro, quando uma forte radiação solar terá corrompido dados essenciais para os sistemas de controlo de voo, provocando uma perda de altitude repentina. A aeronave acabou por desviar para Tampa, na Florida, onde realizou uma aterragem de emergência, e vários passageiros ficaram feridos. O caso levou a FAA a abrir uma investigação.
No caso da TAP, a medida poderá obrigar à imobilização de grande parte da frota de médio curso já a partir da meia-noite. A companhia dispõe de 79 aviões da família Airbus, que vão dos A319 aos A330. O segmento de aviões afetados, no caso da TAP, perfaz um total de 57 aeronaves. A Airbus admitiu, numa nota enviada aos operadores, que estas instruções terão impacto direto nas operações, reconhecendo que as recomendações “irão provocar perturbações para passageiros e clientes”.
O 24Horas falou com Jorge Roquette Cardoso, diretor do Aérodromo de Tires, que comenta o assunto em exclusivo e nos explica qual o problema que obrigou a esta decisão radical.