Frase do dia

  • “Trump nem saberá onde fica o Irão”, Miguel Sousa Tavares
  • “Trump nem saberá onde fica o Irão”, Miguel Sousa Tavares
  • “Trump nem saberá onde fica o Irão”, Miguel Sousa Tavares
  • “Trump nem saberá onde fica o Irão”, Miguel Sousa Tavares
  • “Trump nem saberá onde fica o Irão”, Miguel Sousa Tavares
  • “Trump nem saberá onde fica o Irão”, Miguel Sousa Tavares
  • “Trump nem saberá onde fica o Irão”, Miguel Sousa Tavares
  • “Trump nem saberá onde fica o Irão”, Miguel Sousa Tavares
  • “Trump nem saberá onde fica o Irão”, Miguel Sousa Tavares
  • “Trump nem saberá onde fica o Irão”, Miguel Sousa Tavares
  • “Trump nem saberá onde fica o Irão”, Miguel Sousa Tavares
  • “Trump nem saberá onde fica o Irão”, Miguel Sousa Tavares
  • “Trump nem saberá onde fica o Irão”, Miguel Sousa Tavares
  • “Trump nem saberá onde fica o Irão”, Miguel Sousa Tavares
  • “Trump nem saberá onde fica o Irão”, Miguel Sousa Tavares
  • “Trump nem saberá onde fica o Irão”, Miguel Sousa Tavares
  • “Trump nem saberá onde fica o Irão”, Miguel Sousa Tavares
Search
Carlos Reis

As eleições presidenciais portuguesas chegam num momento decisivo, mas a pré-campanha e os debates têm deixado um sentimento de desilusão....

As eleições presidenciais portuguesas chegam num momento decisivo, mas a pré-campanha e os debates têm deixado um sentimento de desilusão. Num tempo que exige clareza, visão estratégica e coragem política, assistimos a tácticas, micro-polémicas e discussões estéreis. 

Falta ao debate público a profundidade necessária para enfrentar um país que, nos próximos cinco a dez anos, terá de se reposicionar num mundo em rápida mutação.

Os debates (que constituem o principal meio de campanha) em vez de iluminarem o país, revelaram, até aqui, demasiados candidatos presos a frases feitas, enredados por moderadores viciados em tricas sem visão.

Num tempo em que Portugal precisa de clareza e coragem intelectual, recebe, na maioria dos casos, teatro político de baixa intensidade.

Nesse sentido, o assassinato de Francisco Sá Carneiro, de que assinalámos 45 anos, veio assinalar uma ironia cada vez mais taciturna, sempre que nos exasperamos com a lentidão do país que queremos ser.   

Entretanto, o mundo move-se depressa. A nova estratégia geopolítica americana, que pressiona a Europa a assumir responsabilidade pela sua segurança e estabilidade, anuncia um tempo de convulsão. 

Isto obriga Portugal a repensar prioridades. 

Se os actuais governos democráticos europeus mais influentes enfrentarem, já a partir do próximo ano, uma queda em estilo dominó — cenário delirante há meia dúzia anos, mas agora cada vez mais angustiante, quanto mais se vai tornando plausível — a margem de manobra nacional poderá encolher, exigindo, portanto, um Presidente capaz de interpretar o momento e agir como âncora constitucional de estabilidade.

Vivemos num momento colectivo em que precisamos de clareza estratégica. 

E é precisamente aqui que a escolha do Presidente ganha importância acrescida: – um Presidente que incentive, mas que deixe o Governo governar, que não confunda influência com intriga, que não se preste a exercícios vácuos de ociosa vaidade pessoal, que não dissolva legislaturas ao ritmo destes últimos anos, que seja respeitado dando-se ao respeito.

Em suma, um Presidente preparado e com noção firme e clara dos interesses nacionais. 

Portugal terá de lidar nos próximos anos com desafios estruturais: modernização económica, deter a pressão migratória, responder ao declínio demográfico, disputar a competitividade tecnológica, assegurar a sustentabilidade energética e reconstruir a confiança num sistema político fatigado.

Perante este futuro incerto, o papel do próximo Presidente é mesmo decisivo.

Por isso estas eleições deveriam ser um debate sobre o futuro de Portugal e não um concurso de candidatos a prémio-carreira. 

O país merece — e precisa — de alguém que compreenda o momento histórico e que tenha ambição para Portugal. Não apenas ambição para si.