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João Vasco Almeida

Mote: “No plaino abandonado, em que a morna brisa aquece, levou o Almirante com o Seguro que só desce.”* Tozé está...

Mote: “No plaino abandonado, em que a morna brisa aquece, levou o Almirante com o Seguro que só desce.”*

Tozé está um rapazinho. Já não agita o pulôver cor‑de‑rosa no Rato, nem diz frases que precisavam de dicionário Tozé-Português para se perceber. Fez‑se homem, dizem. E que homem mesmo — não daqueles que dá o PS a Costa e, com um sorriso de merceeiro antigo, cobra troco em Ferraris, autárquicas e promessas. É um homem que grita “A‑7!”, não pensa muito e ouve: “Tiro no submarino, Almirante ao fundo.”

O Almirante-Seringa afunda, mas lá vai pela Galileia, rodeado de cidadanias e microfones, a tentar ser uma espécie de apóstolo em campanha. E nós assistimos à conversão de um herói pandémico em peregrino político. Há quem diga que é a evolução natural. Outros chamam-lhe recaída. Eu, por cautela, chamo-lhe consequência — palavra que em Portugal é quase insulto.

Pensava o homem-marinheiro que, após tanto braço espetado em vacina e tanta fotografia de jornal com fundo azul-celeste, os jardins de Belém estavam à distância de um passeio no parque. Esqueceu-se, porém, que há doenças piores do que a COVID: a ingenuidade crónica e o vírus da vaidade. E ambos, quando se cruzam, produzem epidemias marítimas eleitorais.

O problema do Almirante é que confundiu disciplina militar com pensamento político. Uma conversa com ele é como assistir a um Conselho de Ministros submerso: há uma sensação constante de falta de oxigénio, mas todos fingem que respiram. Imaginou-se D. João II com telemóvel, mas acabou por se revelar capitão de ferry — vai e vem, mas nunca atravessa o Sade da convicção.

Dizem-me que anda atónito. Que não entende como um país que o aplaudia de pé agora o observa com a mesma curiosidade que se dedica a um peixe‑balão: simpático, mas perigoso fora de contexto. Talvez porque, por trás do uniforme, o país descobriu uma coisa terrível — o homem‑herói acreditava na própria estátua. E estátuas, quando pensam, desmoronam.

Tozé, esse, observa do camarote, com um sorriso de quem viu este filme três vezes e sempre com pipocas diferentes. É um génio discreto: sabe esperar. Deixou o Almirante perder‑se em mar alto, sem bússola nem doutrina, e agora assobia, inocente, como quem não fez nada — que, na verdade, é o segredo de fazer tudo.

Culpa do Almirante, claro. Teve meses, e meses, e meses (três “meses” é o tempo necessário para qualquer desastre político amadurecer) para inventar pensamento, discurso, plano. Nada. Nem rótulo, nem carisma, nem ideologia. É o tipo de homem que serviria para governar um aquário: muita circulação, pouca profundidade.

No fim, ficou‑lhe o eco de uma frase, dita a ninguém e a todos: “O Almirante ao fundo.” E é verdade — não se afundou por conspiração, mas por gravidade natural. Os políticos flutuam no vazio das ideias; os militares, sem o navio do dever, descem.

E lá vai o Tozé, o rapaz crescido, a ver o Almirante boiar devagarinho, convencido de que é golfinho, e não âncora. E nada, o almirantado. Oh, se nada!

*levemente inspirado em F. Pessoa