Uma Greve Geral é em qualquer Democracia um instrumento excecional que se utiliza, por exemplo, em casos de ruturas de...
Uma Greve Geral é em qualquer Democracia um instrumento excecional que se utiliza, por exemplo, em casos de ruturas de rendimento, casos de recessão profunda ou até de ataques firmes a direitos adquiridos. Numa análise rápida e até diria talvez óbvia, conseguimos apurar que nenhuma destas condições se verifica hoje em Portugal. Torna-se até constrangedor, que num País que atravessa um período estável de crescimento, de mais rendimento disponível, de sucessivas reduções de impostos, de valores de empregabilidade recorde e de melhoria de carreiras públicas (foram celebrados 21 acordos de revisão de carreiras na função pública), estejamos a aplicar qualquer métrica racional para uma Greve Geral.
Os pressupostos clássicos para convocação de uma Greve Geral não estão, pois, reunidos, ainda para mais na semana que somos distinguidos de uma forma ímpar pela revista Economist. O que está reunido é um protesto político contra um Governo que a CGTP não controla, e cuja agenda é incompatível com a visão estatizante e retrógrada que esta sustenta, felizmente com uma representatividade cada vez mais alheada da realidade da nossa economia. A este propósito fará sentido a UGT se aliar ao passado e ao braço armado do PC? Não. A UGT está a privilegiar uma oportunidade de prova de vida, num oportunismo momentâneo de agenda que desvie as atenções para a falta de ambição e a falta de visão do futuro do mercado laboral, num contexto de uma concorrência cada vez mais exigente.
Sendo a concertação social, por excelência, uma plataforma essencial de diálogo, precisamos de a acarinhar, robustecer e valorizar. Quanto mais atenção dermos a este diálogo, e quanto mais representativo e diversificado este diálogo for, mais forte e mais credível será.