As preferências e as decisões do ser humano estão cada vez mais condicionadas e controladas por via de código de...
As preferências e as decisões do ser humano estão cada vez mais condicionadas e controladas por via de código de programação a que hoje chamamos de algoritmo, que não passa de uma entidade abstracta e invisível, a quem que não conhecemos o rosto, as emoções ou os gostos, que não raras vezes está ao serviço de interesses mais ou menos obscuros.
Ninguém dúvida que o algoritmo possui hoje um poder quase infinito que está a colocar seriamente em causa uma sociedade livre, plural e informada.
Hoje são os algoritmos que controlam as grandes plataformas digitais como a Meta, o Google, o TikTok ou o X. Estes algoritmos foram criados e definidos por estes gigantes tecnológicos para cumprir os seus objectivos, moldados e refinados pelo comportamento diário dos seus utilizadores, assentes numa inquestionável falta de transparência.
Estes algoritmos fabricaram homens mais poderosos que os próprios Estados, que não foram eleitos ou mandatos pelo povo, mas que passaram a decidir o futuro da humanidade, ajustando os mercados, definindo tendências, moldando as nossas opiniões que impactam de forma determinante nas nossas escolhas. E tudo isto sem qualquer tipo de controlo.
Hoje, homens como Marck Zuckerberg, Elon Musk, Larry Page, Sergey Brin ou Zhang Yiming, têm na sua mão um poder sistémico que cresceu sem escrutínio. Este caminho foi feito lado a lado com lideranças políticas mundiais fracas e de um vazio regulatório que souberam ocupar com inigualável brilhantismo.
Mas os Países e a Comunicação Social já não limitavam as nossas escolhas? É verdade que sim, não vale a pena nega-lo, transmitiam e difundiam as notícias que escolhiam através dos meios de informação convencionais.
É inquestionável que nem tudo chegava até nós. Mas existia uma diferença substancial, os filtros tinham rostos, sabíamos que não eram isentos, nem independentes, mas eram conhecidos e regulados, integravam empresas ou instituições que não se escondiam atrás entidades abstractas ou invisíveis.
Os algoritmos são coisas antagonicamente diferentes, comportam-se de forma dissimulada e silenciosa, que nos proporcionam uma falsa sensação de confiança. O algoritmo tornou-se o “amigo” que nos disponibiliza todo um mundo à frente dos nossos olhos. Mas que não é o mundo que escolhemos, é o mundo que ele escolhe para nós.
O algoritmo decide o que mostra, como e quando mostra, por isso, nem percepcionamos o que nos foi retirado ou amputado.
Não sabemos porque foi escolhida, nem quem escolheu a informação que nos é mostrada, mas que não tenhamos dúvidas que essas escolhas têm sempre subjacente o “superior interesse do algoritmo” que é nebuloso quando não é mesmo opaco.
Por isso urge continuar o caminho da regulação europeia dos serviços digitais, mas também da da IA, que será longo, que exigirá coragem e determinação dos Estados, porque nunca é fácil correr atrás do prejuízo, nomeadamente quando se tratam das gigantes tecnológicas que passaram a deter um poder incomensurável no mundo.