Paulo Abreu dos Santos, ex-adjunto da então ministra da Justiça, Catarina Sarmento e Castro, e confesso pedófilo auferiu mais de 5 mil euros brutos mensais, durante os cerca de dez meses em que integrou o respetivo gabinete.
De acordo com o Correio da Manhã, o advogado socialista teve uma atuação discreta no Ministério da Justiça. A sua saída, ocorrida por iniciativa própria, “não surpreendeu” os colegas, depois de ter manifestado sinais de cansaço face ao ritmo exigente de trabalho.
A mesma fonte refere que não foi registado qualquer incidente durante o período em que exerceu funções governativas, facto corroborado pela nota de louvor n.º 481/2023, assinada por Catarina Sarmento e Castro. No documento, a então ministra destaca o “enorme rigor técnico” e as “notáveis capacidades de trabalho e de organização” de Paulo Abreu dos Santos, classificando-o como “um elemento fundamental” do gabinete.
Após deixar o Ministério da Justiça, o pedófilo confesso continuou a exercer advocacia e a lecionar na Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa, até ser detido e colocado em prisão preventiva no Estabelecimento Prisional da Carregueira. Está indiciado por crimes de abuso sexual de crianças e posse de centenas de ficheiros de pornografia infantil.
Ainda segundo o Correio da Manhã, o ex-adjunto participava nas atividades da Casa Orixás, onde, de acordo com testemunhos recolhidos no âmbito da investigação, seria considerado o “braço-direito” da líder espiritual Alexandrina Rodrigues. Alegadamente, cumpria rituais rigorosos, incluindo banhos de água fria, restrições alimentares e períodos de descanso no chão, sendo referido que uma parte significativa do seu rendimento seria doada à organização.
A investigação aponta também para a sua participação em dezenas de grupos online dedicados à partilha de pornografia infantil, onde utilizaria o nome de código ‘PABS’.