Se há uns tempos alguém me tivesse perguntado quem, neste final de ano de 2025, poderia estar a disputar o...
Se há uns tempos alguém me tivesse perguntado quem, neste final de ano de 2025, poderia estar a disputar o cargo de Presidente da República, estou certo de que os nomes de António Costa, António Guterres, Durão Barroso, Paulo Portas, Pedro Passos Coelho, Pedro Santana Lopes – por ordem alfabética, sublinhe-se – seriam os primeiros que eu referiria.
Penso que todos estaremos de acordo que qualquer um deles possuiria suficiente e inquestionável perfil, percurso e carisma para aspirarem a ser chefe de Estado. Gostando-se, ou não, de cada um deles, todos eles seriam naturais candidatos a Belém, sem que alguém, nem ao de leve, pusesse em causa a capacidade para exercer o cargo.
Quis o destino que nenhum, por uma ou outra razão, mostrasse disponibilidade para avançar, conduzindo-nos a este penoso cenário, onde, da direita à esquerda, um naipe de figuras de segunda e terceira linha se perfilam para vir a ocupar a mais alta magistratura da Nação, sem que algum deles nos dê à partida a garantia de exercer o cargo com aquilo que é indispensável para o exercício da função presidencial – categoria.
Ao longo desta campanha, que se arrasta penosamente há algumas semanas, temos assistido a uma autêntica enxurrada de lugares-comuns apresentados como se de pensamento político se tratasse, a um sem-fim de ‘sound bytes’ e ‘números’ artificiais e sem nexo, à ausência total de qualquer ideia para um país órfão, mas cada vez mais sequioso, de uma figura de referência.
Independentemente de um ou outro dos candidatos até poderem ser pessoas estimáveis e mesmo bem-intencionadas, o panorama é realmente confrangedor – especialmente para quem, como eu, pertence a uma geração a quem foi fácil possuir referências políticas, tal a qualidade da ‘elite’ que ‘marcou’ a nossa adolescência e juventude…