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Filas intermináveis, lixo por todo o lado, vidros partidos, carros roubados: foi este o estado a que chegou o aeroporto Humberto Delgado. Um cenário de terror, diariamente vivido por quem o utiliza. Entre o caos e o abandono, os caminhos ultimamente percorridos pelo maior aeroporto de Portugal têm-no conduzido a um só destino: o ‘Estado de Sítio’. Especialistas alertam, ambientalistas protestam, a ANA ignora. Mas afinal o que se passa com o aeroporto de Lisboa e quais os impactos que a sua degradação causa no país?

Para aliviar toda esta situação caótica, o Ministério da Administração Interna anunciou esta terça-feira, dia 30, a suspensão imediata, e por um período de três meses, do novo sistema de controlo de fronteiras denominado por EES, que supervisiona os viajantes oriundos de fora do espaço Schengen, através da recolha de dados biométricos. A tutela a cargo de Maria Lúcia Amaral decretou ainda um “reforço imediato” de militares da GNR com formação no controlo de fronteiras para atuarem no aeródromo alfacinha, anunciando também o aumento de cerca de 30% da capacidade dos equipamentos eletrónicos e físicos de controlo das fronteiras externas, até ao limite máximo suportado pela atual infraestrutura aeroportuária.

Mas já que é o tempo, um dos principais ingredientes da receita anárquica em que se tornou o aeroporto, façamos uma viagem por ele, para perceber melhor aquilo que aqui se passa.

A 29 de outubro de 2023 o Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF) foi extinto pelo, ainda, executivo de António Costa, que o substituiu pela Agência para a Integração, Migrações e Asilo (AIMA), atribuindo algumas das suas funções à GNR, PSP e Polícia Judiciária. O rastilho estava pronto, a pólvora espalhada, a faísca acendeu-se.

Com a abolição do SEF e sua repartição institucional, a desorganização instalou-se. Que o digam os passageiros, cujos minutos se transformaram em horas, cujos voos se converteram em noites mal dormidas em bancos aeroportuários, cujos planos ficaram em terra por terem perdidos voos de conexão à conta de atrasos no controlo de passaportes em Lisboa. As filas, longas, intermináveis e esgotantes, sucedem-se repetidamente no controlo de passaportes, monitorizado a partir de guichês que muitas vezes não funcionam.

A 21 de dezembro de 2025, um passageiro estrangeiro, de nome Eugene Vyborov, recorreu às redes sociais para denunciar a situação vivida no aeroporto da capital portuguesa. “Querido Aeroporto Internacional de Lisboa – quem quer que seja o responsável por isto –, são um fracasso completo e constante. Uma vergonha. As pessoas passam 10 a 15 horas em voos e depois têm de esperar mais 4 a 5 horas nesta fila. E isto acontece sempre”, escreveu.

Na altura, a ministra da Administração Interna, Maria Lúcia do Amaral, explicava que a situação estava a ser acompanhada de forma permanente pelas autoridades e que os constrangimentos se deviam à entrada em vigor de um novo sistema de controlo de fronteiras, através da recolha de dados biométricos.

No entanto, dois dias depois, em vésperas de Natal, o caos voltou a tomar conta do aeroporto Humberto Delgado (AHD), com a espera a tornar-se a palavra de ordem. Desta vez novos problemas nas máquinas de reconhecimento facial, levaram a que controlo de passaportes fosse feito de forma manual, originando horas de filas.

Na tarde do mesmo dia 23 de dezembro, problemas com um novo sistema informático alfandegário, afetaram a entrada e saída de mercadorias do aeroporto Humberto Delgado, provocando danos em vários portos, aeroportos e operadores económicos espalhados por todo o país.

As dificuldades de passar a fronteira e entrar em Portugal iriam transpor as ditas fronteiras e ser notícia noutros países. A 28 de dezembro o aeroporto de Lisboa virava notícia no Brasil, onde uma espera de seis horas numa fila de controlo de passaportes foi relatada por vários viajantes provenientes de São Paulo.

IMPACTO NO TURISMO

“Uma emergência nacional”: é assim que José Manuel Santos define o quadro geral do Humberto Delgado. Em declarações exclusivas ao 24Horas, o presidente do Turismo do Alentejo explica que esta situação pode afetar fortemente o turismo nacional e revela que já vários empresários, representantes de importantes grupos económicos que atuam na região da Comporta mas não só, lhe manifestaram as suas preocupações quanto a este caso. No entanto, ressalva que acredita que o Governo está “empenhadíssimo” em resolver todos estes constrangimentos. 

Quem partilha da mesma apreensão é Raul Martins, presidente do grupo Altis Hotels. De acordo com o empresário hoteleiro, se este contexto se prolongar “os turistas não voltarão”. À conversa com o 24Horas, Raul Martins afirma que a falta de recursos humanos é uma das principais causas para este flagelo, enunciando as escalas definidas para os turnos policiais como um dos seus maiores entraves.

“Não pode haver polícia em função dos turnos, mas sim em função da chegada de aviões”, sublinhou. O empreendedor garante ainda que “Lisboa está a perder a competitividade com outras cidades europeias” e pede que o Governo aja. “Aquilo que este Governo tem de fazer é atuar, porque nós demos-lhes voto para eles atuarem”, terminou.

“Como português e profissional do turismo, sinto-me envergonhado”. É assim que Vasco Gallego, proprietário do Hotel Vale do Gaio e fundador do restaurante XL, se sente ao deparar-se com a atual conjuntura do aeroporto da capital portuguesa.

Em declarações ao 24Horas, o empresário de hotelaria acusa o Estado de se alhear das suas responsabilidades para com o AHD e assinala a importância que este tem no turismo em Portugal. “E frustrante, porque se o Estado vive do turismo e não toma conta do turismo, é a mesma coisa de eu querer ser pai, mas depois da criança nascer, abandono-a”, acrescenta.

Vasco Gallego afirma, ainda, de forma peremptória que o aeroporto Humberto Delgado dá uma “péssima primeira impressão” de Portugal, e termina com um apelo: “É uma situação que tem de ser revista com a maior das urgências”.

Contactado pelo 24Horas para comentar todos esses constrangimentos e declarações, José Luís Arnaut desligou a chamada assim que percebeu de que assunto se tratava. O presidente da ANA, empresa concessionária dos aeroportos de Portugal, demarcou-se de fazer qualquer declaração.

Mas não termina aqui a o caos que se vive no aeroporto da capital…

SEM-ABRIGO A DORMIR NO AEROPORTO

Em julho, o 24Horas avançou que são vários os sem-abrigo que regularmente pernoitam nas instalações daquele local. Com o aumento da supervisão no espaço, mas na ausência de uma medida efetiva que resolva o problema, a situação escalou e mudou de figura.

Agora, são muitos os relatos e testemunhos que revelam o assalto a viaturas paradas nos parques de estacionamento aeroportuários, onde sem-abrigo, por vezes, partem os vidros dos veículos, que ali são deixados por longos períodos, para ocupá-los durante várias noites.

Ricardo Penarroias, presidente do Sindicato Nacional do Pessoal de Voo, revela, em primeira mão ao 24Horas, um dos casos mais recentes. “Uma colega tinha aquilo a que podemos chamar um ‘ocupa’ dentro do carro. Esteve durante quatro dias no carro da colega, basicamente a fazer o seu telhado”, começa por revelar.

Ricardo Penarroias exige a tomada de medidas de segurança. “Acho que se exige, sem dúvida, começar a pensar numa forma de aumentar a segurança para os tripulantes de cabine, para os pilotos e para os passageiros, que também vão usufruir desses parques”, enfatizou.

Esta é apenas uma de muitas histórias semelhantes. O 24Horas sabe que há dezenas de carros que nas últimas semanas foram ocupados, assaltados ou vandalizados nos mesmos parques de estacionamento.

Veja a seguir a reportagem especial do 24Horas em formato vídeo.

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