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  • “Trump nem saberá onde fica o Irão”, Miguel Sousa Tavares
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José Paulo Fafe

Com os eleitorados naturais a aconchegarem-se, com maior ou menor dificuldade, aos candidatos presidenciais com carimbo partidário, resta agora a...

Com os eleitorados naturais a aconchegarem-se, com maior ou menor dificuldade, aos candidatos presidenciais com carimbo partidário, resta agora a Henrique Gouveia e Melo, outrora favorito nesta corrida para Belém, tentar encontrar espaço para crescer os 3 ou 4 por cento que lhe faltam para garantir a passagem à segunda volta.

Não é uma missão impossível, mas requer tato e determinação da parte de quem não pode, a nenhum preço, afugentar um único voto que seja naquela imensa transversalidade de apoios que é a sua base eleitoral – um amplo espaço onde ex-comunistas convivem alegremente com conservadores e onde social-democratas e socialistas passeiam de braço dado. Se apresenta vantagens, essa transversalidade acarreta igualmente riscos, forjada que foi à volta de um candidato que, por teimosia ou inabilidade, nunca privilegiou o posicionamento político, apostando mais na pose e no estilo do que em qualquer outra coisa.

Mas onde poderá Gouveia e Melo ir buscar aqueles 3 ou 4 por cento que lhe possibilitem a presença na finalíssima?

Antes de mais, na abstenção – uma massa ainda significativa de votantes que, até 18 de janeiro, poderá ainda ser cativada por um discurso forte e convincente. Mas não só…

Sejamos claros: com os territórios do centro-direita, do centro-esquerda e da esquerda pura-e-dura ‘ocupados’, resta a Gouveia e Melo investir num eleitorado mais volátil à direita e que tem constituído a base de apoio de André Ventura: um eleitorado não ideológico que, embora emocionalmente aberto a ruturas, comporta também franjas mais racionais, mais esclarecidas e mais recetivas à eterna tese do voto útil, sabendo-se que o voto em Ventura é apenas uma afirmação de protesto e não terá seguimento prático no que a Belém diz respeito. Não lhe resta outra alternativa. É ali, só ali, nesse eleitorado sem compromisso ideológico fixo, que Gouveia e Melo poderá ainda crescer, desde que saiba encontrar e explorar as brechas que sempre existem em cenários que, por mais sólidos e estáveis que aparentem estar, não deixam de possuir fragilidades e pontos de ataque.

Neste eleitorado não-ideológico, que vive paredes-meias com o eleitorado desiludido que engorda a abstenção, poderá Gouveia e Melo encontrar aquele pequeno impulso que lhe falta para não “morrer na praia”.

Cabe agora ao almirante explorar o que é hoje a maior fragilidade de Ventura, leia-se, o seu elevado nível de rejeição (uma taxa que as sondagens nos dizem ultrapassar os 70 por cento), e que não é segredo para a sua base eleitoral, que a conhece e identifica como o principal ‘ponto fraco’. Uma fragilidade que pode, desde que aproveitada com ‘pinças’, justificar o argumento do ‘voto útil’, especialmente junto quem sabe que em nenhum dos quatro cenários ainda admissíveis para a segunda volta o líder do Chega terá alguma vez a hipótese de ser eleito Presidente da República.

Mais: este eleitorado, consciente de que não verá Ventura chegar a Belém, quer sobretudo vê-lo chegar a S. Bento como primeiro-ministro – tanto mais que, na hipótese remotíssima de uma eleição presidencial, esta representaria inevitavelmente o fim desse sonho e conduziria a uma previsível ‘débacle’ do “projeto Chega”, que ficaria assim amputado de uma liderança forte, carismática e essencial.

A chance de Gouveia e Melo neste momento é centrar a sua estratégia nesse ‘flirt’ à direita e junto do eleitorado abstencionista, afirmando-se cada vez mais como independente, descolando inteligentemente de algumas posições que, talvez por falta de jeito, foi assumindo ao longo dos últimos meses, e enfrentando André Ventura, afirmando-se como sendo de facto o único candidato de fora do sistema vicioso dos partidos e o único com capacidade para afirmar em Belém valores como a ordem, a autoridade e a segurança num momento particularmente delicado da vida mundial.

A grande dúvida é se Gouveia e Melo terá talento para o fazer e, também, se ainda irá a tempo…