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  • ''Não pedi, nem pedirei, para sair'', Ana Paula Martins
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O funeral de Brigitte Bardot, uma das figuras mais marcantes do cinema europeu do século XX, realizou-se esta quarta-feira, 7, em Saint-Tropez, a cidade onde viveu durante décadas e com a qual manteve sempre uma ligação profunda. A mítica atriz francesa morreu em 28 de dezembro de 2025, aos 91 anos, vítima de cancro. A cerimónia decorreu num ambiente simultaneamente reservado e simbólico, reunindo familiares, amigos próximos e figuras do meio artístico, num último adeus a uma estrela que marcou gerações pelo seu impacto cultural, mediático e estético.

Durante o cortejo fúnebre, a presença da música teve um significado particular. Os Gipsy Kings acompanharam parte da homenagem por expresso desejo da própria Bardot, que ao longo da vida manifestou admiração pela música cigana e pelo universo mediterrânico representado pelo grupo. A sua escolha refletiu uma vontade clara de que a despedida fosse marcada por uma sonoridade ligada à liberdade, à emoção e ao sul de França, valores com os quais sempre se identificou.

Formados em Arles, os Gipsy Kings são compostos por músicos ciganos franceses de origem espanhola, pertencentes a duas famílias com laços de parentesco, os Reyes e os Baliardo. Tornaram-se mundialmente conhecidos a partir do final dos anos 1980, levando a rumba flamenca a um público vastíssimo, através de canções como ‘Djobi, Djoba’ e ‘Bamboléo’, que se transformaram em símbolos de celebração, paixão e identidade cultural.

A participação dos Gipsy Kings no cortejo fúnebre foi, assim, entendida como um tributo pessoal e coerente com o universo simbólico de Brigitte Bardot, mais do que como um simples momento musical. A cerimónia em Saint-Tropez uniu cinema, música e Mediterrâneo, numa despedida que procurou respeitar a sensibilidade da atriz e sublinhar o legado duradouro de uma figura incontornável da cultura francesa e europeia.

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