A dar tudo em várias frentes no mundo – desde a Ucrânia, passando por Gaza e Irão, até à Venezuela, Donald Trump, de 79 anos, insiste em ter a Gronelândia sob o poder político, económico e militar dos EUA. “Não vamos permitir que a Rússia ou a China ocupem a Gronelândia – e é isso que vai acontecer se não o fizermos”, disse o polémico presidente norte-americano, deixando um novo aviso: “Por isso, vamos fazer algo em relação à Gronelândia, seja a bem, seja da forma mais difícil.”
Como isto vai acabar, ninguém sabe, certo é que esta ilha, um território dinamarquês autónomo entre o Atlântico Norte e o Oceano Ártico, promete estar no centro da agenda mundial nos próximos tempos. Ainda na sexta-feira, os líderes de cinco partidos políticos da Gronelândia, incluindo o do primeiro-ministro do território, Jens-Frederik Nielsen, emitiram um comunicado conjunto: “Não queremos ser norte-americanos, não queremos ser dinamarqueses, queremos ser gronelandeses”, pode ler-se no documento a que o jornal Guardian teve acesso.
Numa sondagem feita há cerca de um ano, 85% da população daquele território disse rejeitar a ideia de integrar os EUA. “Nenhum outro país pode intrometer-se nisto. Temos de decidir nós próprios o futuro do nosso país – sem pressões para tomar uma decisão apressada, sem adiamentos e sem interferências de outros países”, lê-se no referido documento.
Nesta batalha, inesperada, com os EUA, a Dinamarca conta com o apoio de vários parceiros europeus, que reuniram durante a última semana e emitiram uma nota conjunta sobre o tema. “A segurança do Ártico mantém-se uma prioridade-chave para a Europa e é crucial para a segurança internacional e transatlântica. A NATO deixou claro que a região é uma prioridade e os aliados europeus estão a agir. Nós, e muitos outros aliados, aumentámos a nossa presença, atividades e investimentos para manter o Ártico seguro e para dissuadir adversários. O reino da Dinamarca – incluindo a Gronelândia – é parte da NATO.”