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Jorge Morais

Enquanto os galifões da alta política esgrimem as últimas espadeiradas à porta de armas do Palácio de Belém (tema que,...

Enquanto os galifões da alta política esgrimem as últimas espadeiradas à porta de armas do Palácio de Belém (tema que, francamente, já deito pelas costuras), desço à terra para vos falar de algo incomparavelmente mais importante: o inesperado crescimento da floresta portuguesa.

E digo inesperado porque, nos últimos anos, as únicas notícias sobre árvores que vimos publicadas indicariam o contrário: a instalação de vastos parques de painéis solares e a alteração forçada de planos municipais em zonas protegidas têm conduzido, invariavelmente, ao sacrifício criminoso de pinhal e de sobreiros centenários – para já não falar de ataques cirúrgicos aos indefesos plátanos em zonas onde o asfalto tomou a primazia.

Afinal, contra todas as expectativas, e no cômputo global, a floresta portuguesa está a crescer a uma média de 11,1% ao ano – o maior aumento de área entre os países da União Europeia, superando as médias de países que tradicionalmente cuidam da sua riqueza florestal, como a Dinamarca (crescimento de 7,6%) ou a Irlanda (6,8%). 

A floresta portuguesa ocupa hoje mais de 3 milhões de hectares, ou seja, 36% do território nacional, cinco vezes mais do que a área dedicada à agricultura permanente (600 mil hectares) e o quádruplo da área florestal registada no século XIX. Apesar de todas as malfeitorias de que a árvore portuguesa tem sido vítima, em alguma coisa melhorámos, mesmo quando ainda nos falta muito trabalho na prevenção de incêndios, no restauro dos ecossistemas e na defesa da biodiversidade. 

É certo que este aumento da área florestal também se deve, em parte, ao abandono das áreas rurais e ao envelhecimento das populações do interior, fatores que terão de ser compensados com políticas estruturais que não vêm agora ao caso. Em contrapartida, vimos consolidando a área dedicada a árvores autóctones (72% do total), com os pinhais e os montados de sobreiro e azinheira em grande destaque. A “invasão” de eucaliptal parece ter sido contida nos 26%, o que é menos mau do que seria de recear.

E já que estamos com a mão na massa, outra boa notícia: o tartaranhão-caçador, pequena ave de rapina que até há pouco tempo estava em risco de desaparecer de grande parte do seu habitat ibérico (em Portugal o número de exemplares já não chegava a 200), está agora a reproduzir-se a uma taxa de sucesso de 77%, contra os 38% de há poucos anos. Deve-se esta reversão à monitorização e proteção por parte de agricultores e associações ambientais e, ainda, a alguma legislação/regulamentação positiva. Resultado: a população de tartaranhões aumentou 103% no último ano.

Nem tudo vai mal, neste jardim à beira-mar plantado, pelo menos no que a árvores e pássaros diz respeito.

Quanto aos passarões que esvoaçam à porta de armas do Palácio de Belém, deixá-los piar, cantar, trinar, grasnar, arrulhar, cacarejar, charlar, ulular e grugulejar. Também têm direito, coitadinhos.