Trata-se de um homem de 39 anos, residente em Portugal, que começou a apresentar os primeiros sintomas no final de dezembro de 2025. A infeção foi confirmada no passado sábado, dia 10, pelas autoridades de saúde do estado de São Paulo, no Brasil.
Este é o segundo caso da nova variante do vírus da mpox (anteriormente conhecida como varíola dos macacos) registado no estado de São Paulo. A estirpe identificada pertence é considerada mais agressiva.
O homem procurou assistência médica no Instituto de Infectologia Emílio Ribas, onde esteve internado durante um dia. Após receber tratamento, teve alta hospitalar e regressou ao país de origem, ou seja, Portugal. Até ao momento, não há registo de infeções ou de sintomas entre as pessoas que tiveram contacto próximo com o doente.
Em Portugal, foram registadas 40 novas infeções por mpox nos últimos dois meses. Embora a atual evolução da doença esteja longe do pico de casos observado em 2022, as opiniões divergem quanto à gravidade desta nova subida.
Em declarações à Antena 1, Cândida Fernandes, médica do serviço de consulta aberta de Doenças Sexualmente Transmissíveis do Hospital de Santo António dos Capuchos, em Lisboa, considera que os casos observados têm sido, na sua maioria, pouco graves. A especialista defende a necessidade de “vigilância ativa”, mas afirma que, nesta fase, não existem “sinais de alarme que justifiquem preocupação generalizada da população”.
Já o Grupo de Ativistas em Tratamentos (GAT) entende que a situação justifica a declaração de um surto, uma vez que o número de casos tem vindo a aumentar desde outubro de 2025.
Dados da Direção-Geral da Saúde (DGS), divulgados à Antena 1, indicam uma subida progressiva nos últimos meses: dez casos confirmados em agosto, três em setembro, 14 em outubro, 18 em novembro e 25 em dezembro. A maioria dos diagnósticos foi identificada na região de Lisboa.
A mpox é uma doença zoonótica, podendo ser transmitida de animais para humanos, bem como entre pessoas, sobretudo através de contacto próximo, incluindo contacto sexual, associado ao aparecimento de lesões cutâneas. Os casos notificados dizem respeito maioritariamente a indivíduos do sexo masculino, com idades entre os 24 e os 57 anos, sendo a idade média de 35 anos. Cerca de 90% dos casos estão associados a homens que tiveram relações sexuais com outros homens.