O Sindicato dos Jornalistas (SJ) manifestou-se contra o novo modelo de avaliação de trabalhadores que o jornal Público pretende implementar ainda este mês, considerando que a proposta contém “elementos perigosos” e se afasta das boas práticas previstas no Contrato Coletivo de Trabalho para a Imprensa (CCT).
Em comunicado, a Direção do SJ alerta que o modelo em causa incentiva práticas associadas ao clickbait e desvirtua a avaliação do trabalho jornalístico, ao introduzir critérios quantitativos que não refletem a qualidade da informação produzida. Segundo a nota, trata-se de um sistema que “vai em sentido contrário ao que seriam boas práticas para gerir a progressão na carreira dos profissionais”.
O sindicato critica em particular o facto de o modelo proposto ser híbrido, prevendo que 15% da avaliação dos jornalistas dependa de métricas como cliques ou visualizações de páginas. Para o SJ, esta opção é injusta e potencialmente prejudicial, uma vez que “o cumprimento de metas pode ser condicionado por questões técnicas alheias aos jornalistas e não depende da qualidade da informação produzida”.
Outro ponto fortemente contestado é a imposição de quotas nas classificações atribuídas, uma medida que colide diretamente com o espírito do CCT. O documento recorda que o modelo de avaliação previsto no contrato coletivo foi concebido para apoiar a progressão na carreira e garantir que o mérito é reconhecido de forma justa, “sem muros ou comportas de retenção administrativas”.
Para o SJ, a existência de quotas limita o crescimento profissional e fomenta a competição interna entre jornalistas, num setor já marcado por estagnação salarial prolongada: “A sensação de estagnação, que perpassa praticamente toda a Comunicação Social, contribui para o desalento e cansaço que os estudos demonstram existir na profissão.”
Face a este cenário, a Direção do Sindicato dos Jornalistas exorta a administração do Público a rever o modelo proposto e apela aos jornalistas para que o contestem, garantindo que o sindicato está disponível para prestar apoio aos associados, “inclusive através dos seus serviços jurídicos”.