Caso António José Seguro seja eleito, o país vai ter pela primeira vez uma primeira-dama empresária. Maria Margarida Maldonado Freitas Seguro irá continuar no mercado das farmácias – negócio que já vem da família, vai para 80 anos, e que ela tem feito crescer a olhos vistos.
Já o marido vai ter de abandonar as três empresas que criou após o implacável António Costa o ter derrubado da liderança do Partido Socialista: ficaria mal a um Presidente da República arrendar quartos a turistas, vender vinhos e azeites na sua mercearia fina de Penamacor e prestar serviços de consultadoria…
António José Seguro é sócio maioritário de duas empresas, Amacor e a Mimos da Beira, e tem metade do capital de uma terceira, a N&A, todas com sede em Penamacor, a sua terra natal. A declaração de rendimentos, património e interesses de Seguro – obrigatória para candidatos presidenciais – ainda não está disponível para consulta pública no portal da Entidade para a Transparência, tal como acontece com as de Marques Mendes, André Ventura e Gouveia e Melo. Mas o 24 Horas investigou os interesses comerciais do candidato apoiado pelo PS.
Seguro constituiu a Amarcor, em dezembro de 2016, para exploração da Casa da Penha, em Penamocor, como alojamento local. Numa base de dados confidencial sobre empresas, surge como sócio maioritário: tem 60 por cento do capital de dois mil euros e a mulher, Maria Margarida, o restante. Em três anos, de 2022 a 2024 – últimos dados disponíveis –, a firma faturou 394.727,25 euros e obteve um resultado líquido de 36.012,16 euros.
Pode-se dizer que António José Seguro também se dedica à agricultura. António Costa mandou-o cavar quando tomou o PS de assalto. Mas Seguro não foi cavar batatas. Constituiu a firma Mimos da Beira e trata da vinha e do olival, na Quinta do Carril, uma propriedade de 3,5 hectares: produz vinho e azeite – e instalou-se com uma espécie de mercearia fina, em Penamacor, especializada no comércio de produtos tradicionais, dos vinhos aos licores, dos azeites aos enchidos, dos queijos aos doces. A empresa, com um capital de dois mil euros, é detida por ele, em 40 por cento, e pela sua outra firma, a Amarcor.
A Mimos da Beira faturou em três anos, de 2022 a 2024, para cima de meio milhão – exatamente, 525.804,52 de euros. Os resultados líquidos, segundo dados oficiais, quedaram-se pelos 25.085,48 euros.
A sua terceira firma, a N&A, que explora a Loja da Penha e vende artesanato, em Penamacor, faturou escassos cinco mil euros em 2023, ano em que foi criada, e teve um resultado negativo de 15 mil euros. No ano passado, a faturação alcançou os 105 mil euros e as contas fecharam com um saldo positivo de 972 euros. A sociedade é constituída em partes iguais pela Amarcor e por Joana Crucho, a gerente.
NEGÓCIO DE MILHÕES
Ao pé dos negócios da mulher, com quem está casado em regime de comunhão de adquiridos, é um pigmeu. Maria Margarida Nave Maldonado de Freitas – oriunda de uma conhecida família das Caldas da Rainha de fortes tradições maçónicas e de oposição ao Estado Novo – constituiu a firma M. Freitas Unipessoal, em novembro de 2011, e hoje detém o controlo de duas farmácias que só no ano passado alcançaram um invejoso resultado líquido de 700 mil euros.

Maria Margarida, dirigente da poderosa Associação Nacional de Farmácias, a cuja direção pertenceu pela mão de João Cordeiro, seu ‘padrinho’ no setor, é dona de 66,66 por cento da Farmácia Freitas, nas Caldas da Rainha, fundada há 80 anos. O resto do capital está dividido pelos outros herdeiros do fundador, João Vilela Maldonado de Freitas. Nos últimos três anos, de 20022 a 2024, o correu próspero: atingiu, por junto, um saldo positivo de 563.266.71 euros.
Mas a outra farmácia de que Maria Margarida Maldonado de Freitas é a única proprietária – a Farmácia Maldonado, com 20 empregados, também nas Caldas – é ainda mais rentável. Faturou em três anos, de 2022 a 2024, qualquer coisa como 17 milhões e 271 mil euros. Os resultados líquidos desta autêntica mina somaram, no mesmo período, invejosos 1 milhão e 614 mil euros.
Por aqui se percebe que a Maria Margarida, caso o marido seja eleito, não queira trocar as farmácias pelas funções de primeira-dama. Como diz o povo, o olho do dono engorda o gado – e ela há de continuar nas Caldas para que não falte a palha ao negócio. Para contrabalançar as contas, a perfumaria Zinália, velha loja que já leva 87 anos de portas abertas nas Caldas da Rainha, tem dado prejuízo nos últimos três anos: 10 mil euros em 2022, 13 mil no ano seguinte, 18 mil no ano passado. A Zinália é hoje propriedade dos herdeiros do fundador, entre eles Maria Margarida.