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  • 'Têm ideia do que fizeram à minha vida?', João Cotrim de Figueiredo
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Um paciente paraplégico voltou a mexer o pé após ser submetido a um tratamento experimental desenvolvido por investigadores da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), no Brasil, reacendendo a esperança de avanços no tratamento de lesões da medula espinhal.

O homem, de 35 anos, ficou paraplégico na sequência de um grave acidente de trabalho que provocou uma lesão medular considerada completa, com perda total de movimentos e sensibilidade da cintura para baixo. Durante anos, não apresentou qualquer resposta neurológica nos membros inferiores.

Recentemente, o paciente recebeu uma aplicação de polilaminina, uma substância experimental criada em laboratório a partir da laminina, proteína natural presente no organismo humano e essencial para a estrutura dos tecidos e para a orientação das células nervosas.

Ao contrário da laminina na sua forma natural, a polilaminina resulta de um processo de reorganização molecular que transforma a proteína numa estrutura estável, semelhante a uma rede. Esta estrutura actua como um “andaime biológico”, capaz de orientar o crescimento dos neurónios e de favorecer a reconexão das fibras nervosas danificadas na medula espinhal.

Dias após o tratamento, o paciente relatou ter conseguido mover voluntariamente o pé, descrevendo uma contração clara do músculo — algo que não acontecia desde o acidente. O episódio foi acompanhado por familiares e profissionais de saúde e teve forte impacto emocional.

Segundo os investigadores envolvidos no projecto, a polilaminina não representa uma cura definitiva, mas pode criar condições para que o sistema nervoso volte a comunicar com áreas do corpo afectadas por lesões graves, algo até agora considerado extremamente limitado pela medicina tradicional.

Outros pacientes com paraplegia que receberam a substância, através de autorizações judiciais e em regime de uso compassivo, também relataram melhorias parciais, como recuperação de sensibilidade ou pequenos movimentos voluntários. No entanto, os especialistas sublinham que os resultados ainda são preliminares.

O medicamento continua em fase experimental e depende de ensaios clínicos mais amplos para comprovar a sua eficácia e segurança antes de uma eventual aprovação pelas autoridades sanitárias. Apesar das cautelas, os relatos recentes representam um avanço relevante num campo onde as opções terapêuticas continuam a ser escassas.

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