Donald Trump, a Gronelândia e um prémio Nobel que não venceu. O presidente norte-americano, de 79 anos, usou-se da ‘derrota’ no Prémio Nobel da Paz, entregue a Maria Corina Machado, para justificar a sua ambição em anexar a ilha que pertence à Dinamarca.
Numa carta enviada ao primeiro-ministro da Noruega, Jonas Gahr Støre, de 65 anos, Trump afirma que, depois de os noruegueses lhe negarem a vitória no dito galardão, já não se vê obrigado a pensar só na paz. No documento, cuja veracidade foi confirmada pelo governante do país nórdico e ao qual a Agência Reuters teve acesso, o líder americano atira:
“Considerando que o seu país decidiu não me conceder o Prémio Nobel da Paz após ter impedido mais de oito guerras, não me sinto mais obrigado a pensar somente em paz, embora esta seja sempre uma ideia predominante, mas agora posso pensar no que é bom e apropriado para os Estados Unidos da América.”
De acordo com Støre, a carta do presidente dos EUA surge como forma de resposta a uma “breve mensagem” que lhe enviou em conjunto com o presidente da Finlândia, Alexander Stubb.
Na mesma nota, Trump refere que a Dinamarca não tem capacidade de fazer face às ameaças da Rússia e da China em torno da Gronelândia, e mais defende que o mundo apenas estará em segurança se forem os Estados Unidos a controlar aquele território: “Porque teriam ‘direito à propriedade’, afinal? O mundo não está seguro, a menos que os EUA tenham controlo total e completo da Gronelândia.”
Recorde-se que, em junho, o Comité Nobel Norueguês atribuiu o Prémio Nobel da Paz de 2025 à líder da oposição venezuelana, Maria Corina Machado, de 58 anos, que após a captura de Nicolás Maduro entregou a distinção a Trump.
Com o crescimento das tensões geopolíticas e a intenção de Donald Trump em anexar o território soberano, foram vários os países europeus que começaram a mobilizar tropas para a Gronelândia. O chefe de Estado norte-americano ripostou e, no último sábado, prometeu implementar uma onda de tarifas, a partir de 1 de fevereiro, sobre países como Dinamarca, Suécia, França, Alemanha, Holanda Finlândia, Reino Unido e Noruega. Tarifas que ficam em vigor até que os EUA sejam autorizados a comprar a Gronelândia.