Uma sobrevivente da colisão entre dois comboios de alta velocidade em Adamuz (Espanha), Ana García Aranda, de 26 anos, vive agora momentos de angústia enquanto procura pelo seu cão, Boro, após o grave acidente. A jovem viajava no serviço Iryo 6189, que descarrilou e se chocou contra um comboio Alvia, deixando um rasto de destruição, com pelo menos 41 mortos e dezenas de feridos, enquanto as equipas de resgate continuam a retirar vítimas dos destroços.
“Ana viajava com a sua irmã e o cunhado no comboio acidentado. A sua irmã, que está na Unidade de Cuidados Intensivos, ficou gravemente ferida enquanto tentava proteger o cão”, relatam fontes próximas ao El Mundo, citando as palavras emocionadas da jovem: “Se eu não puder fazer nada por ela agora, pelo menos que possa encontrar o Boro.” Ana assegura que viu o animal sair do comboio antes do choque e pediu ajuda pública para localizar o cão e outros animais de estimação que possam ter ficado perdidos.
Um vídeo partilhado nas redes sociais mostra um animal a vaguear perto do local do acidente e a organização de defesa dos animais PACMA solicitou uma autorização especial para aceder à área, de forma segura, e auxiliar na procura de Boro. “É mais um membro da família, por favor, ajudem-nos a encontrar os animais”, implora Ana, cuja história rapidamente comoveu milhares de pessoas online, gerando tanto apoio como críticas sobre a atenção dada a animais num contexto de tragédia humana.
De recordar que o descarrilamento ocorreu por volta das 19:45 do passado domingo, quando três carruagens do comboio Iryo, que fazia a ligação entre Málaga e Madrid, descarrilaram e invadiram a via oposta, colidindo com o comboio Alvia que seguia da capital espanhola para Huelva. A investigação continua em curso, com responsáveis a considerarem possíveis falhas na via ou na manutenção como causas potenciais do desastre, enquanto o país vizinho enfrenta dias de luto e de mobilização das equipas de emergência e identificação de vítimas.