André Ventura – contra todos os ventos e marés dos desejos expressos do comentário político nacional – ganhou, por direito...
André Ventura – contra todos os ventos e marés dos desejos expressos do comentário político nacional – ganhou, por direito próprio, a presença na segunda volta das eleições presidenciais de 2026.
E conquistou essa honra (a maior da sua vida pública, como o próprio reconheceu) num espaço à direita, dividido com outros três candidatos que, à partida, teriam mais hipóteses de estarem presentes na decisão final do dia 8 de Fevereiro.
Vamos, por certo, ter uma nova campanha eleitoral, onde André Ventura continuará a falar do que preocupa os portugueses (imigração, criminalidade, corrupção, saúde, habitação, educação) e na qual o candidato da área socialista não poderá continuar a fugir de tomar posição sobre o que quer que seja!
Não será mais possível – a António José Seguro – escusar-se a dizer o que pensa sobre tudo o que for polémico, caminho por que optou na primeira volta, pela única razão de não ter de disputar o espaço político da esquerda com mais ninguém (a não ser as insignificâncias da extrema-esquerda que apenas se fizeram ouvir neste estertor final da sua representação política visível).
Mas André Ventura chegou a esta segunda volta porque é – de facto – o herdeiro dos líderes de direita (não tenhamos vergonha da designação) com carisma, que privilegiando a relação direta com os eleitores, conseguiram vitórias inesquecíveis.
Francisco Sá Carneiro conquistou duas maiorias absolutas (em 1979 e 1980) como líder de um bloco anti-socialista, quando o País político era (quase) todo de esquerda.
Aníbal Cavaco Silva ganhou eleições com duas maiorias absolutas (em 1987 e 1991) quando o País político ainda era maioritariamente de esquerda.
Maiorias absolutas conseguidas – todas elas – contra o Partido Socialista, mas, também, contra a ideia do Bloco Central (de 1983) ou da candidatura presidencial de Mário Soares (de 1986) que, aliás, levou a um processo de expulsões de “barões” do PSD, fiéis defensores de alianças com o PS.
Os que, na área da direita democrática, em 2026, apoiam António José Seguro, serão os herdeiros políticos – na “traição” e na subsequente irrelevância política – dos que, em 1979, se opuseram (num primeiro momento) à visão de Francisco Sá Carneiro, em querer listas únicas, com o CDS (e, depois, com o PPM e os “Reformadores”), ou dos que, andaram a chamar fascista a Aníbal Cavaco Silva, desde 1981 até ao Congresso da Figueira da Foz, em 1985, e acabaram expulsos, pelo próprio Cavaco, depois de terem apoiado Mário Soares, contra Diogo Freitas do Amaral, em 1986.
Todas as lideranças carismáticas – no PSD, ou seja, na direita do espectro político português – recusaram, sempre e liminarmente, qualquer ideia de Bloco Central.
E mesmo quando não foram os líderes dessa área política, foi através dessa ideia que se afirmaram na política portuguesa (basta recordar a “Nova Esperança”, entre 1983 e 1985, cuja influência na ocupação dos mais altos cargos políticos em Portugal durou, desde então até ao presente).
Mas mesmo com esses “cavalos de Tróia” – donos e senhores apenas do seu voto – será possível a André Ventura ganhar as eleições presidenciais a 8 de Fevereiro?
Claro que sim!
Porque, apesar dessas tentativas de condicionamentos – pela pressão exercida por quase toda a comunicação social – a margem de potenciais votantes no actual líder do Chega, hoje, é muito superior ao eleitorado de esquerda.
E numa disputa que acabará por ser tão ideológica… veremos se a opção natural maioritariamente, neste momento, do povo português será ou não condicionada por esse “lobby” exterior aos interesses de todos (mas muito relevante para cada um desses interessados, para continuarem sentados a usufruir dessa situação)!!!
A vitória de André Ventura já foi impossível, já foi muito, muito difícil e é – hoje – ainda bastante difícil.
Mas já não é impossível.
Porque, tal como em 1979, 1980, 1985, 1987 ou 1991, os então chamados de fascistas, que vinham para acabar com o 25 de Abril, com a liberdade, com a democracia, com os direitos sociais, com tudo… ganharam e governaram Portugal, democraticamente, em liberdade e respeitando a constituição da República Portuguesa… por muito que discordem de algumas coisas que lá estão.
A diferença?
A convicção, a determinação e o carisma dos que, então, ganharam!
Sem ligar aos que se prestam a fazer este papel de “idiotas úteis da direita” (com todo o respeito intelectual e pessoal que me mereçam alguns… que não todos… os que, até agora, se prestaram a esse papel), alguns dos quais, então muito mais novos, estiveram, nesses momentos, a escrever, sobre outros, o que eu escrevo agora sobre eles!
A diferença é que eu continuo a ser fiel ao que sempre pensei… sem medo da liberdade e de ser – eu próprio – livre como sempre fui!!!
E André Ventura, continuando a bater-se pelas suas causas, obrigando o seu adversário a vir a terreiro dizer o que pensa sobre tudo (sem se refugiar em lugares-comuns, sem dizer nada), terá essa possibilidade.
Já não terá 25%, como, ainda há uma semana, ouvi alguém “jurar” que seria o seu “teto eleitoral” máximo, com ele numa segunda volta, que tudo fizeram para evitar.
Mas – estou certo – com a mesma humildade de sempre e o carisma que hoje, na política portuguesa, a este nível, só ele tem.
Só são precisos 50% mais 1 dos votos validamente expressos!
Por isso, a 8 de Fevereiro (e perdoem-me a imodéstia), usando o título do livro que publiquei, em Novembro de 2023, falando sobre o que tinha acontecido e antecipando muito do que ia começar a acontecer, nos tempos mais próximos, na política portuguesa, sem medo e por Portugal,… “NÃO TENHAM MEDO DA MUDANÇA”.