Um suposto relatório dos serviços secretos moçambicanos, a que o 24Horas teve acesso em exclusivo, sobre a morte de Pedro Ferraz Reis, o administrador português do BCI encontrado sem vida no Hotel Polana, em Maputo, na segunda-feira, dia 19, aponta para a tese de assassinato. A autoria do documento, que circula nas altas esferas do poder político do país, é atribuída ao Serviço de Informações e Segurança do Estado (SISE).
Embora o Serviço Nacional de Investigação Criminal (SERNIC) tenha avançado, inicialmente, com a hipótese de se ter tratado de um suicídio, através de envenenamento e trauma físico, este documento, agora revelado pelo 24Horas, não corrobora com esta teoria.
Sabe-se que Pedro Ferraz Reis morreu na sequência da ingestão de um raticida, seguida de várias facadas nos pulsos, pescoço, coxas e coração. As autoridades garantem que a complexidade destes elementos são “um fenómeno estatisticamente raro”, que apenas representam entre 1,5% a 5% de todos os suicídios forenses.
“No entanto, a especificidade da combinação de métodos descrita neste caso, particularmente a inclusão de
lesões nas coxas e a perfuração cardíaca após ingestão de substância tóxica, levanta indicadores críticos de staging (encenação de cena de crime) tipicamente associados a homicídios dissimulados”, lê-se no documento.

