Numa altura em que muito se discute o papel da tauromaquia na sociedade, com vários a defenderem que esta mantém um papel de extrema relevância por diversos motivos e outros a considerarem-na uma barbárie sem cabimento, o mundo verde deu um sinal bastante positivo à atividade tauromáquica. Desta feita, a PróToiro – Federação Portuguesa das Associações Taurinas foi distinguida pelo seu papel na preservação da biodiversidade e dos ecossistemas na Península Ibérica.
A federação que representa o mundo tauromáquico a nível nacional foi premiada pela mão da World Green Design Organization (WGDO), uma organização internacional sem fins lucrativos que promove a defesa do ambiente e o ‘design verde’, e que lhe concedeu o Green Design International Award. O galardão premeia a instituição portuguesa pelo papel do touro bravo na preservação do equilíbrio e sustentabilidade do ecossistema e biodiversidade ibérica.

A cerimónia decorreu esta quarta-feira, 21, em Bruxelas, e contou com as presenças do vice-presidente da federação, Paulo Pessoa de Carvalho, e do secretário-geral, Bernardo Mendia.


Entre os principais motivos enunciados pelo júri para este reconhecimento estão o conceito de ‘Prática Verde’, a preservação da biodiversidade e do montado e o alinhamento com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU.
“O júri premiou a criação do Toiro Bravo como uma ‘Prática Verde’, devido ao seu impacto direto na preservação do ecossistema. Ao contrário de outras formas de pecuária intensiva, o toiro bravo vive em regime extensivo, o que obriga à manutenção de vastas áreas de pastagem natural, prevenindo a degradação do solo e promovendo o sequestro de carbono”, explica a PróToiro em comunicado.
“Sem a exploração económica do toiro bravo, milhares de hectares de Montado e Dehesa (ecossistemas protegidos e únicos na Europa) estariam em risco de abandono ou de conversão para monoculturas agrícolas. O toiro atua como um ‘guardião’ da biodiversidade, coexistindo com inúmeras espécies de fauna e flora que dependem deste habitat gerido de forma sustentável”, acrescenta a mesma nota.
Destacando a importância do setor para o cumprimento dos ODS da ONU, a PróToiro conclui: “Ao premiar este caso em Bruxelas, a WGDO reconhece que a Tauromaquia oferece uma resposta concreta aos desafios atuais, nomeadamente na luta contra a desertificação rural e a promoção da economia circular no interior do território.”
Naturalmente satisfeito, o presidente da federação, Francisco Macedo, afirma que “a PróToiro recebeu este prémio, em nome do setor, porque provou que a ecologia está no ADN da Festa Brava, transformando o toiro de lide num símbolo global de conservação da natureza”, e refere que este se deve também ao “resultado de uma estratégia de comunicação institucional que procura traduzir uma tradição secular para uma linguagem técnica e moderna. Ao focar-se no ‘benefício do ecossistema e promoção da biodiversidade’, a PróToiro conseguiu furar o bloqueio ideológico e ser avaliada por critérios de mérito ambiental e científico”.