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  • ''Neutralidade de Montenegro será lesiva para o PSD'', David Justino
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Ricardo Leitão Machado, o cunhado do ministro da Presidência, António Leitão Amaro, soma e segue. No último semestre do ano passado, fez tudo por tudo para comprar a distribuidora Vasp, cuja atividade é curiosamente tutelada a nível governamental pelo seu próprio cunhado. E só não comprou porque o próprio ‘compliance’ da distribuidora pôs em causa a sua idoneidade…

Depois da polémica que rodeou a assinatura de um contrato com o Estado para fornecimento de meios aéreos de combate a incêndios no valor de 16 milhões de euros, e que chegou mesmo a envolver buscas nos escritórios da Gesticopter, uma empresa que é sua propriedade, Leitão Machado quis recentemente entrar no capital da distribuidora Vasp, que detém no nosso país a distribuição de jornais e revistas.

Mas apesar de ter chegado mesmo a existir um acordo de princípio entre Marco Galinha, o dono da Vasp, e Leitão Machado, e deste último ter mesmo, através de transferências bancárias, sinalizado a sua entrada no capital da distribuidora, o negócio não chegou ao fim. Tudo porque o próprio ‘compliance’ da Vasp não ter reconhecido suficiente idoneidade ao cunhado do ministro, cujo controverso percurso empresarial, com sucessivos ‘casos’ protagonizados em Angola e Portugal, desaconselhou a sua entrada na sociedade.

Em causa, parece ter estado o facto de o cunhado do ministro estar a ser investigado em Portugal pelo Ministério Público em dois processos, um deles de branqueamento de capitais, isto para além da Procuradoria-Geral da República ter recentemente recebido uma carta rogatória das autoridades angolanas em que Leitão Machado era um dos visados.

Marco Galinha foi desaconselhado pelo ‘compliance’ da própria Vasp a fazer negócio com Ricardo Leitão Machado, o controverso empresário que é cunhado de Leitão Amaro

Recorde-se que Leitão Machado possui um ‘rasto’ para muitos tido como sendo ”muito pouco recomendável” no que aos negócios diz respeito. Tal como o 24Horas noticiou em Novembro passado, o cunhado do ministro da Presidência é acusado de ter lesado o Estado angolano em cerca de 222 milhões de euros num negócio referente à aquisição de turbinas, e que ’salpicou’ algumas personalidades de destaque na sociedade angolana.

O 24Horas apurou que as discretas negociações entre Leitão Machado e Marco Galinha tiveram lugar no último semestre do ano passado, tendo como palco o Golden Eagle, um empreendimento imobiliário nos arredores de Rio Maior, que é propriedade de Galinha, onde ambos se encontraram por diversas vezes, algumas delas acompanhados por advogados de ambas as partes.

Segundo fontes conhecedoras de todo este processo, mais do que o interesse no negócio da distribuição em si, o que parece ter movido Leitão Machado na ofensiva que fez sobre a Vasp foi o património imobiliário da empresa, que tem a sua sede na Venda Seca, a dois passos da A16, nos arredores de Lisboa.

A postura do ministro Leitão Amaro na gestão do ‘dossier Vasp’ tem sido particularmente conflituosa

Curiosamente, já com o negócio desfeito, Marco Galinha, o dono da distribuidora Vasp, acusou há dias na Assembleia da República o ministro António Leitão Amaro de ter proibido o seu gabinete de manter qualquer contacto com aquela empresa, isto pese embora o ministro da Presidência ter sido encarregue pelo primeiro-ministro de tentar encontrar uma solução que leve aquela distribuidora de jornais e revistas a voltar atrás na decisão de suspender a distribuição diária de publicações em 8 distritos do continente. Uma acusação que, sabendo-se agora do interesse do cunhado do ministro em comprar a Vasp, deixa no ar uma série de inevitáveis e lógicas questões…

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