O embaixador António Martins da Cruz sublinhou a importância de Macau nas relações luso-chinesas e alertou que Portugal deve resistir a pressões externas que queiram diminuir o seu relacionamento com a China.
“A União Europeia continua sem saber que relações há de ter com a China e nós, Portugal, vamos ter que saber resistir a futuras pressões americanas e, de alguma maneira, de Bruxelas, para limitarmos as nossas relações com a China. Estas pressões irão aumentar, quer de Bruxelas, quer do outro lado do Atlântico, e Portugal tem de encontrar meios para manter as relações, desenvolvê-las e resistir a pressões”, disse na conferência de comemoração dos 30 anos da Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP), relembrando que o Fórum de Macau “é muito importante” para o quadro destas relações.
“No quadro da CPLP, é sobretudo através do Fórum Macau que a China desenvolve as relações bilaterais com os países lusófonos, e Portugal, nesta plataforma, quer fazer o mesmo que a China faz, que é aprofundar o relacionamento bilateral”, explicou o antigo ministro dos Negócios Estrangeiros.
Defendendo que a política externa nacional deve ter sempre três prioridades, “a Europa, o Atlântico, independentemente de qual seja o Governo norte-americano, e depois o espaço da língua portuguesa”, Martins da Costa lamentou ainda a falta de aproveitamento do fórum macaense.
“A China entra nesta equação da CPLP através do Fórum Macau, que é a única organização internacional que existe em Macau, com o acordo de Portugal, e que é muito importante pelo que representa nas nossas relações com a China, mas que infelizmente é pouco aproveitada pela maioria das empresas portuguesas”, rematou.