A União Europeia e a Índia fecharam um acordo comercial de grande envergadura descrito por responsáveis europeus como a “mãe de todos os acordos”. O pacto, resultado de quase duas décadas de negociações, foi anunciado durante uma cimeira bilateral em Nova Deli, com a presença do primeiro-ministro indiano, Narendra Modi, da presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, e do presidente do Conselho Europeu, António Costa.
O novo acordo visa criar uma vasta zona de livre comércio que poderá integrar cerca de 2 mil milhões de pessoas e fortalecer significativamente as relações económicas entre os dois blocos. Espera-se que a medida duplique as exportações europeias para a Índia até 2032, eliminando ou reduzindo tarifas sobre a esmagadora maioria dos bens trocados entre as duas economias.
Modi sublinhou o impacto potencial do entendimento, afirmando que se trata de um marco histórico que abrirá “grandes oportunidades para 1,4 mil milhões de indianos e para milhões de europeus”. Já Ursula von der Leyen declarou que a UE e a Índia “estão a fazer história hoje”, realçando que o acordo criará uma área de comércio livre de dois mil milhões de pessoas.
O pacto deverá reduzir drasticamente os direitos aduaneiros sobre produtos como automóveis, maquinaria, produtos químicos e bebidas europeias, enquanto alguns setores sensíveis – nomeadamente produtos agrícolas específicos – foram excluídos para acomodar preocupações internas de cada parte.
O comércio entre a União Europeia e a Índia já ultrapassa os 180 mil milhões de euros anuais, apoiando dezenas de milhares de postos de trabalho em ambos os lados. A expectativa é que este novo quadro alargado de comércio impulsione ainda mais a integração económica e o crescimento.
Antes de entrar em vigor, o acordo terá de ser ratificado pelo Conselho Europeu e pelo Parlamento Europeu, bem como pelas autoridades indianas.