O Grande Oriente Lusitano (GOL), a mais antiga obediência maçónica em Portugal, lançou um apelo à população portuguesa em nome da “democracia, do Estado de direito, do humanismo e da laicidade do Estado”.
Embora não refira diretamente o nome de nenhum candidato, a maçonaria chama a atenção para os perigos da eleição de André Ventura. Em comunicado, a instituição maçon apela ao voto contra as “forças que pretendam de novo colocar em causa o Estado de direito constitucional”, deixando nas entrelinhas um apoio a António José Seguro.
“No momento em que os valores da democracia, os direitos humanos e a sabedoria estabelecida na ciência e na lei, ao longo dos séculos, são postos em causa por movimentos que disseminam a dissensão, o ódio e obscurantismo; no momento em que o mundo vive uma situação de grande incerteza porque os próprios pilares que sustentam a ordem internacional vacilam sob a ameaça do caos e da tirania”, contextualizam os maçons.
“Neste momento em que a Europa e Portugal se veem diretamente acossados, internamente e a partir do exterior, por estas mesmas forças que inesperadamente se agigantam; o Grande Oriente Lusitano – Maçonaria Portuguesa não pode deixar de apelar a que todas as cidadãs e cidadãos que se reveem nos valores da democracia, do Estado de direito, do humanismo e da laicidade do Estado, e que partilham o desejo de um país e de um mundo mais livre, mais justo e igual para todos os seres humanos em que reinem a fraternidade, a concórdia e a paz, se unam e participem ativamente na defesa destes valores fundamentais em todos os atos políticos, cívicos, próximos e futuros, que sejam relevantes para a democracia e para a República Portuguesa”, proclama a mesma nota.
Recordando o período de ditadura em Portugal e o esforço empregue na construção da liberdade, o GOL toma uma posição política.
“Não pode por isso, a Maçonaria Portuguesa (…) deixar de se opor veemente a todas e quaisquer forças que pretendam de novo colocar em causa o Estado de direito constitucional e restringir a liberdade e os direitos universais. A bem da dignidade humana”, termina o comunicado.