A 14 de Março de 1974 – a 42 dias da Revolução do 25 de Abril – Marcello Caetano obrigava...
A 14 de Março de 1974 – a 42 dias da Revolução do 25 de Abril – Marcello Caetano obrigava os seus oficiais superiores a jurarem-lhe fidelidade, tentando parar o movimento de contestação que se tornara bem visível após a publicação do “Portugal e o Futuro”, de António Spínola.
Numa “romaria de promessas de amor eterno”, quase todos os Generais e Almirantes de então (com as excepções conhecidas) lá foram garantir o apoio ao regime do Estado Novo… que abanaria dois dias depois, a 16 de Março, com o falhado “golpe das Caldas” e cairia, com estrondo, a 25 de Abril.
Também hoje, quase 52 anos depois, um regime cansado e esgotado, com o “povo” muito farto dos entendimentos, parcerias e acordos dos seus “Partners” (como, numa designação muito feliz, lhes chamou André Ventura, porque encerra, numa só palavra, tudo o que representam esses novos capatazes dos interesses em Portugal),… também hoje estamos perante uma nova “Brigada do Reumático”.
Uma “Brigada do Reumático” que não se quer esgotar após o dia 8 de Fevereiro (como costuma anunciar quem alcança cada maioria, tão presidencial quanto circunstancial) mas que, desta vez, antes se organizou para continuar a mandar em Portugal, face a quem os ameaçou a sério!
Mandar a seu bel-prazer, com duas únicas preocupações… eleger quem não os impeça de continuar a mandar… e impedir a eleição de quem quer mudar tudo isto.
Como hoje é bem patente que quer André Ventura!
Pelo voto, em democracia, com um só desígnio… mudar – mesmo – tudo isto.
Nós sabemos que cada um desses subscritores desta nova “Brigada do Reumático” só se representa a si próprio.
Os mais novos por não serem nem terem sido (com uma ou duas excepções) líderes de nada,… os mais velhos porque, apesar de já terem sido alguma coisa (dois ou três… muita coisa, mesmo), não perceberam que, hoje, nada dizem á maioria do povo português!
Até um dia, em que, mesmo todos juntos, perderão a credibilidade que ainda lhes resta, a razão que já deixaram de ter há muito e o respeito que já não merecem.
Para além de uma incoerência gritante de quase todos eles, fazem-no para que alguém não lhes venha “estragar a festa” em que andam há anos, por se considerarem donos do regime.
Os mais novos… porque acham que só assim terão assento nas reuniões de divisão da “coisa comum”, no caminho para “Partners” a que anseiam ser alcandorados (com uma ou duas excepções … já que o fizeram ao arrepio de tudo o que pensam, embora achem que só assim poderão voltar a ter a possibilidade de ter “novas oportunidades”, concedidas por quem tem o monopólio da “opinião publicada”).
Os mais velhos… por acharem que esse posicionamento os mantém à tona da água de um regime que teima em já não querer saber deles (com uma dúzia de excepções, que o faz na vá esperança de um lugarzinho no Conselho de Estado ou de pequenas sinecuras, mas, ainda assim, muito respeitadas no “Olimpo” dos “Partners” e passíveis de serem usadas nos “negócios do regime”, que o Presidente eleito terá para distribuir).
Ou seja… quase todos os “novos” dão o seu apoio ao passado… por um prato de lentilhas… e quase todos os “velhos” dão o seu apoio a quem não representa o futuro por não terem já capacidade nem influência para voltar a sonhar em mudar o mundo.
Os “novos”… nunca mais se livrarão desta “sombra” e os “velhos”… não conseguirão sair do anonimato a que foram conduzidos (até porque, a maior parte deles, nunca se sujeitou a votos, antes vivendo sempre a “surfar a onda” de quem ganhava, não importava em nome de quê… desde que os levasse…).
A esses… “defensores de convicções alheias”, capazes de apoiar “tudo e o seu contrário”, como nestas eleições ficou evidente, face a posições assumidas no passado, desacreditando e tentando “assassinatos de carácter” do candidato que agora elogiam e dizem ir votar … a esses … “a História não absolverá”!
E se Roma, desde o tempo de Viriato, “não paga a traidores”, também Portugal não deixará de “não pagar” a quem se esqueceu dos valores e dos princípios em nome de uma nova “União Nacional”, contra o futuro,… só porque o futuro, para além de querer um Portugal novo,… não conta com eles!
O problema – para esses – é que, todos juntos, já valem muito pouco e, com este apoio, valerão muito menos.
O que iremos confirmar a 8 de Fevereiro e pelas eleições que se seguirão…
Porque nunca o futuro – historicamente –foi feito por qualquer “Brigada do Reumático”!
Antes pelo contrário… o futuro garante-se e é feito sem (se necessário, contra) as “Brigadas do Reumático” que teimam em resistir por todo o lado.
Em 2026 e nos próximos anos (como em Abril de 1974 e, de pois, em Novembro de 1975), em Portugal… como no resto do Mundo!!!