A Associação de Jornalistas Parlamentares (AJPAR) expressou profunda preocupação pela intervenção dos serviços de segurança da Assembleia da República junto de um repórter da revista Sábado, que estava a exercer as suas funções devidamente credenciado e em espaço permitido dentro do Parlamento.
O episódio denunciado remonta ao passado dia 20 de janeiro, quando o jornalista Tomás Guerreiro foi abordado por agentes da GNR afetos ao corpo de segurança da Assembleia enquanto questionava os deputados do PSD sobre as intenções de voto na segunda volta das eleições presidenciais. Segundo noticiado, os agentes chegaram a informar o repórter de que não podia continuar a reportagem sem “autorização especial” e chamaram um superior para justificar essa ordem.
Em comunicado, a AJPAR sublinha que o jornalista estava identificado com a credencial e questiona “as razões que terão levado à intervenção dos serviços de segurança”, considerando ainda “inaceitáveis as considerações sobre a necessidade de autorização para realizar trabalho jornalístico”. Os jornalistas parlamentares apelaram a esclarecimentos às instâncias competentes da Assembleia.
O gabinete do presidente da Assembleia da República, José Pedro Aguiar‑Branco, respondeu que a atuação dos serviços de segurança ocorreu na sequência de uma queixa de um funcionário sobre “comportamento considerado suspeito” e uma abordagem considerada “pouco habitual” a deputados. A nota oficial salienta que não houve qualquer intenção de condicionar ou impedir o trabalho dos jornalistas, que é reconhecido e valorizado no funcionamento democrático da instituição.
Aguiar‑Branco reafirmou ainda a disponibilidade para dialogar com a AJPAR e promover encontros que clarifiquem a situação e contribuam para melhorar as condições de trabalho dos profissionais da comunicação social dentro do Parlamento.