A depressão Kristin foi um dos fenómenos meteorológicos mais violentos de que há memória em Portugal nos últimos anos. Os danos provocados estão ainda a ser apurados, mas o rasto de destruição é imenso. Casas, infraestruturas, vidas perdidas. Ninguém ficou alheio à ira de Kristin, que deixou vários recintos desportivos espalhados por todo o país totalmente devastados. Em Leiria, Marinha Grande, Castelo Branco e Lisboa os estragos são visíveis.
Remodelado em 2003, para receber jogos do Euro 2004, o Estádio Municipal Dr. Magalhães Pessoa, em Leiria, é, desde aí, um dos seus palcos de maior prestígio. Hoje, vive uma das páginas mais negras da sua história, depois de ter ficado em cacos, numa cenário que se assemelha ao de uma guerra.






“Leiria acordou com um rasto de destruição sem precedentes, ao qual não escapou o estádio, o centro de treinos da Bidoeira e a nossa academia. Neste momento, em que o mais importante é a segurança de todos, informamos que todos os treinos estão cancelados”, escreveu o União Desportiva de Leiria, em comunicado.
“Neste momento há ainda dificuldades nas redes de comunicações e eletricidade, pelo que esperamos que todos estejam bem. Apelamos a todos os atletas, equipas técnicas, staff, Unionistas e leirienses que se mantenham em casa, em segurança”, acrescentou na mesma nota.
Mas o flagelo não ficou por aqui. O Sporting Clube Marinhense, no concelho vizinho da Marinha Grande, também acordou deparando-se com o que de pior a natureza tem para oferecer. Em dia que seria de festa pela comemoração do 87.º aniversário, o seu pavilhão desportivo, ou aquilo que resta dele, espelham a destruição.
“Devastados, isolados, sem soluções. O nosso pavilhão cedeu e com ele, o trabalho de anos e anos vai abaixo em minutos”, escreveu o clube numa nota oficial. “Queremos agradecer a todos os clubes que exprimiram a sua solidariedade. Não temos forma de responder, pois ainda não temos comunicações, esta msg está a ser escrita num concelho vizinho. Vamos precisar da ajuda de todos para devolver a vida ao pavilhão. Hoje em dia de completarmos 87 anos temos esta prenda de aniversário”, destaca a nota. Mas apesar das dificuldades, ainda há esperança para os que transpiram. “A seu tempo haveremos de renascer”, terminou o clube da Marinha Grande.
Em Lisboa, o campo Eng. Carlos Salema, do Oriental, também foi gravemente afetado. A cobertura de um dos campos foi levada, quando os pilares que a sustentam tombaram com a força do vento. “As condições climatéricas da noite passada causaram estragos na nova estrutura da bancada do campo de (futebol de) sete, provocando danos significativos numa infraestrutura recentemente intervencionada”, informou o clube de Marvila.
“Temos um prejuízo que ainda não está contabilizado em termos económicos, que tem que ver com a cobertura que tínhamos no campo n.º 2, que é uma cobertura relativamente recente, à volta de cinco, seis meses e na altura rondou os oito a nove mil euros. À primeira vista, diria que não tem qualquer recuperação e será um prejuízo na totalidade, não haverá hipótese de recuperar absolutamente nada”, afirmou o presidente Paulo Rosado.

No concelho de Castelo Branco, o clube de Alcains deu também conta dos danos provocados pela Kristin nas suas instalações. “Na sequência do temporal que se fez sentir durante a noite, acordamos com este [destruição quase total da zona de camarotes] cenário devastador do nosso Trigueiros de Aragão”, referiu o emblema do concelho albicastrense.