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  • “Trump nem saberá onde fica o Irão”, Miguel Sousa Tavares
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AURA ARANTES FONTES

De há muito que o PSD abandonou o debate interno. O PSD prescindiu de ouvir os seus militantes e assim...

De há muito que o PSD abandonou o debate interno. O PSD prescindiu de ouvir os seus militantes e assim deixou de incorporar os anseios das populações que aspira representar. Não motivou as bases, não formou os seus quadros e decresceu em mobilização. Ao longo do tempo deixou de identificar desafios e não trouxe novas soluções ao país. Do topo às bases não agregou, não emocionou e dele, hoje, pouco ou nada se fala ou se ouve falar.

Assim, só a conquista do Poder, no Estado e na Administração Pública, logra mobilizar os militantes profissionalizados para as sucessivas tarefas eleitorais. O taticismo instalou-se sem pudor. Ouvir e debater passaram à História: são um luxo inútil, próprios de outros “fora”…

O mandarinato partidário fez definhar as estruturas do próprio partido e abandonou valores e novas ideias, dispensou personalidades desalinhadas e rejeitou contributos alternativos e diferentes sensibilidades. Aqueles que internamente questionavam foram afastados e opiniões dissonantes secaram em nome da urgência imperativa de alcançar e manter, a todo o custo, o poder politico e governamental. O alpinismo virou doutrina e os trepadores lograram a boa repartição dos lugares públicos. Vítima da sua irresponsabilidade, o PSD elegeu demasiadas vezes os menos preparados, elevando deste modo a inaptidão e a inépcia ao estatuto de critérios de seleção.

Sem novas adesões relevantes, sem quadros qualificados e sem o mérito exigido, governado por ajustes de geometria variável entre o seu baronato autárquico e a sua militância envelhecida oriunda da “Jota”, sempre autopromovidos em clique dirigente nacional, o PSD não cuidou de conter os vícios estruturais do seu Aparelho e validou a conquista do Poder como a sua única vocação existencial.

O que é hoje o PSD? Que desígnio nacional prossegue? Pelo que se bate? O que o identifica e distingue? Onde e como se situa nos planos interno e externo? Para que serve?

O PSD de hoje vive, no essencial, das rendas do património herdado. Do erigido lá atrás, por vária gente que se empenhou na procura de respostas e soluções. Gente que se ouvia e se envolvia em debate. Partido interclassista, o PSD gozou de forte e diversificada implantação territorial. Urbano e rural, foi sendo erguido das bases às elites com o propósito de construir um Portugal melhor e maior. Por muitos e longos anos, cultivou uma vitalidade própria: criava recriando-se. Preconizava e empreendia mudanças, tantas vezes sem saber que fazia História. Viveu dinâmicas eleitorais aglutinadoras que o elevaram, por muitos anos, a partido do Poder.

Hoje é um edifício delapidado e exaurido que cede, empobrecido, ao desgaste do seu abandono. Outrora pujante, agora vazio, cinzento e insalubre.

Órfãos, militantes e simpatizantes desertaram. Muitos acoitam-se junto do “novíssimo  doutrinador”: o enérgico, imaginativo e emocionante Ventura. Também ele, outrora, inquilino do PSD…

Como um qualquer edifício descorado, o PSD abre brechas e, exposto aos ataques exteriores e com escassos meios para se defender, vai cedendo. No vazio de ideias claras e de valores determinados, o imediatismo impera e o taticismo (sempre ele) sobrepõe-se a qualquer estratégia. E a qualquer política reformista que, por si só, implica sempre a virtude dolorosa das escolhas.

Em modo de apneia, o PSD é vítima apenas de si próprio e só tomado pela gula do Poder consegue respirar…