Não é segredo para ninguém que o grande problema que há muito persegue Nuno Melo é o de tentar, sem...
Não é segredo para ninguém que o grande problema que há muito persegue Nuno Melo é o de tentar, sem êxito, passar por inteligente. Ele bem que se tem esforçado, mas a coisa não é fácil, mesmo que não lhe tenham faltado as oportunidades ao longo dos anos para tentar contrariar a perceção generalizada que existe sobre as suas argúcia e sageza, predicados esses com que visivelmente o nosso ministro da Defesa não foi brindado à nascença.
E como inteligência é coisa que não se aprende, compre, ou tome em pastilhas, ao longo da sua vida pública o dr. Melo tem sido obrigado a carregar uma cruz, a de alguém ‘limitado’, ou mesmo ‘bronco’, classificação que é dada aos néscios lá para os lados de Joane.
No entanto, honra lhe seja feita, o dr. Melo tem a notável de capacidade de não nos surpreender, ou seja, é aquilo que é, e a mais, também, não é obrigado. Por outras palavras, cada vez que enfrenta um microfone ou câmara, é certo e sabido que sairá tolice, normalmente ‘embrulhada’ em pose e tom doutorais.
Como todos os estultos, o dr. Melo não tem, também, a noção do ridículo, muito menos do sentido de oportunidade. O ‘número’ que protagonizou há dois dias, ao aparecer em Vieira de Leiria à frente de um dispositivo militar que de pronto se eclipsou logo depois dos holofotes televisivos se apagarem, mostra bem a ‘massa’ de que é feito o homem a quem Luís Montenegro entregou a pasta da Defesa. Alguém que, para sublinhar a suposta prontidão do Exército na resposta à tragédia que se abateu sobre a região centro do país, resolveu informar os portugueses de que o sargento Lopes, o homem que comandava o pelotão de militares que formava atrás de si, fazia anos: “E está aqui a trabalhar, não a festejar como devia …”, rematou o dr. Melo com aquele ar de pascácio a quem invariavelmente se manda tomar juízo.
Não sei porquê, mas ao ouvi-lo, lembrei-me do ‘velho’ treinador de futebol Manuel Machado, e de uma das muitas frases que ele teve o dom de imortalizar: “Um vintém é um vintém, um cretino é um cretino”. E por aqui me fico…