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  • “Trump nem saberá onde fica o Irão”, Miguel Sousa Tavares
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Carlos Reis

Nada que saibamos politicamente de Espanha nos poderá surpreender. E tudo o que ouvimos de lá deve servir-nos como aviso preventivo,...

Nada que saibamos politicamente de Espanha nos poderá surpreender.

E tudo o que ouvimos de lá deve servir-nos como aviso preventivo, aquilo que os norte-americanos chamam de “cautionary tale”.

As recentes declarações da mulher de Pablo Iglesias, eurodeputada do Podemos e líder da extrema esquerda espanhola, Irene Montero, proferidas num comício em Saragoça e divulgadas pelos media espanhóis, dificilmente poderiam ser mais claras quanto ao objectivo inconfessado, pelo governo espanhol, da anunciada regularização de emergência de meio milhão de imigrantes.

Irene Montero ao afirmar que, depois da regularização, o objetivo será o de avançar para a nacionalidade e para o direito de voto dos imigrantes, e ao celebrar explicitamente a ideia de “varrer de fachos e racistas este país” através desse processo, Montero deixou cair qualquer véu de ambiguidade política.

Afinal a motivação da extrema esquerda europeia com a sua reivindicação de open borders (fronteiras abertas) é sobretudo instrumental.

Não se trata apenas do discurso panfletário sobre direitos humanos ou integração social: trata-se mesmo de uma estratégia de poder.

A máscara caiu e só uma comunicação social portuguesa complacente e cúmplice pode tentar fazer ignorar isto dos portugueses.

Durante anos, lá e cá, a esquerda radical negou com indignação que a imigração pudesse ser encarada como instrumento eleitoral. Quem levantava essa hipótese era imediatamente rechaçado, acusado de conspiracionismo, ou de aderir à chamada teoria da “grande substituição”.

Ora, quando a líder da esquerda radical espanhola assume, sem rodeios, que quer alterar a composição do eleitorado para substituir politicamente uma parte da população por outra, o que está em causa já não é teoria, mas prática política assumida.

Como não consegue ganhar eleições com o voto dos espanhóis actuais, há assim que substituí-los por novos espanhóis, administrativamente fabricados.

Não nos surpreendamos pois que a nossa extrema-esquerda, desacreditada e reduzida a mínimos históricos, comece a exigir em breve o alargamento massivo e indiscriminado ao direito de voto da enorme massa de migrantes  que alterou demográficamente Portugal de rajada, nos recentes anos.

Para o efeito usarão de todos os truques retóricos e falsos paralelismos.

Começarão certamente devagar e passo a passo.

Tentarão convencer e captar o comentariado pelo apelo à lusofonia, como se o direito de voto numa democracia estabelecida e consolidada como a nossa, pudesse ser reciprocamente garantido em democracias incipientes, falhadas ou intermitentes como algumas da CPLP.

Certamente Rui Tavares e a sua agremiação do Livre traçarão paralelismos históricos como o da reivindicação do sufrágio feminino, defendendo o direito de voto de imigrantes sem nacionalidade, ou até mesmo de nacionais de outros países.

É a redução de Portugal a um mero lugar.

Ora além de abusiva, esta reivindicação da extrema esquerda é reveladora de uma lógica instrumental: o voto deixa de ser o culminar de um processo de pertença cívica e passa a ser uma ferramenta para reconfigurar a correlação de forças.

A imigração surge, assim, não como fenómeno social complexo a gerir com equilíbrio, mas como matéria-prima eleitoral ao serviço de um projeto ideológico.

É neste ponto que as identidades nacionais se tornam o alvo. Não por acaso, Irene Montero fala em “reemplazo”, ainda que o tente revestir de ironia. A mensagem é simples: a comunidade política existente é um obstáculo a remover, não um património a preservar.

Quando a esquerda radical assume que quer mudar o povo para ganhar eleições, confirma precisamente aquilo que durante tanto tempo disse ser uma invenção dos seus adversários.

Como não ganham com este povo há que substitui-lo por outro.