O governo chinês aprovou uma nova regulamentação que exige que, a partir de 2027, os novos modelos de veículos tenham maçanetas externas alinhadas, enquanto os modelos já aprovados terão de se adaptar até 2029. A medida entra em vigor a 1 de janeiro de 2027, tornando a China o primeiro país do mundo a implementá-la.
As maçanetas embutidas têm sido uma tendência estética nos últimos anos, especialmente em veículos elétricos, mas são consideradas perigosas em caso de acidente, pois podem impedir a abertura manual das portas se o sistema elétrico falhar. A decisão surge após vários acidentes fatais envolvendo portas de carros elétricos, sendo o caso mais mediático o de outubro de 2025, em Chengdu, quando os socorristas não conseguiram abrir as portas de um veículo elétrico da Xiaomi que se incendiou. O condutor, supostamente alcoolizado, morreu no local, noticiou a BBC.
A nova regulamentação obriga a que a parte externa de todas as portas dos passageiros exceto o porta-malas tenha uma zona de pelo menos 6 cm por 2 cm (com 2,5 cm de profundidade) para permitir o acesso à maçaneta. No interior, os veículos devem ter um mecanismo para destravar as portas e instruções sobre como abri-las. Os veículos já fabricados têm um prazo adicional de dois anos para se adaptarem à norma, segundo o ministério, que sublinha que a medida visa “melhorar o nível de segurança”.
Segundo o China Daily, este tipo de maçaneta está presente em cerca de 60% dos 100 veículos elétricos mais vendidos no país. A Tesla será uma das marcas mais afetadas, por ter popularizado este design. Apesar de a norma ser exclusiva para o mercado chinês, a forte presença da China na indústria automóvel global deverá ter impacto em todo o mundo, explica a BBC.
A China não é o único país a registar acidentes envolvendo portas de carros elétricos. Em novembro de 2025, a Administração Nacional de Segurança Rodoviária dos Estados Unidos (NHTSA) abriu uma investigação sobre as maçanetas elétricas dos veículos Tesla, após relatos de falhas súbitas que deixaram crianças presas dentro dos carros. A agência recebeu nove reclamações sobre os puxadores do Tesla Model Y 2021, o principal modelo da marca, e em quatro desses casos os proprietários tiveram mesmo de partir os vidros para conseguirem sair.