A Polícia Civil de Santa Catarina no Brasil, concluiu o inquérito que investigava a morte do cão comunitário Orelha, agredido na Praia Brava, no norte da ilha de Florianópolis, no início de janeiro.
A investigação identificou um jovem como autor das agressões que levaram à morte do animal. O processo foi remetido ao Ministério Público, que agora analisa o pedido de internamento provisório, medida equiparada à prisão no sistema de justiça juvenil.
O ataque ocorreu durante a madrugada e provocou forte comoção na comunidade local. De acordo com os laudos da Polícia Científica, Orelha sofreu traumatismo craniano provocado por violência direta, compatível com pancadas ou chutes, lesões que acabaram por causar a sua morte.
A investigação decorreu ao longo de várias semanas e envolveu um trabalho considerado minucioso pelas autoridades. Foram analisadas mais de mil horas de imagens de câmaras de segurança, além da audição de dezenas de testemunhas. As filmagens foram determinantes para a identificação do jovem, ao colocá-lo na zona da praia no exato período em que o cão foi agredido.
Quando ouvido pela polícia, o jovem negou ter estado na praia, alegando que permaneceu dentro de um condomínio, junto à piscina. A versão foi desmentida pelo cruzamento das imagens de videovigilância, que o mostram a circular pelo local do crime. Para reforçar a conclusão, os investigadores recorreram ainda a tecnologia avançada de geolocalização, que confirmou a presença do suspeito na Praia Brava naquele momento.
Durante o curso do inquérito, a Polícia Civil apurou que o jovem viajou para os Estados Unidos, mais concretamente para a Flórida, pouco depois do início das investigações. O regresso ao Brasil foi acompanhado pelas autoridades. No desembarque, os agentes apreenderam as mesmas peças de vestuário — um moletom e um boné — usadas na noite do crime, identificadas nas imagens de segurança. Segundo a polícia, houve tentativa de ocultação dos acessórios no momento da abordagem.
O relatório final aponta ainda o indiciamento de três adultos, suspeitos de coagir e ameaçar testemunhas ao longo da investigação, numa tentativa de interferir no apuramento dos factos.
Com a conclusão do inquérito, cabe agora ao Ministério Público decidir se avança com a ação de apuração de ato infracional e se aceita o pedido de internamento provisório apresentado pela Polícia Civil, tendo em conta a gravidade do caso.
A defesa do jovem contestou as conclusões da investigação, alegando que as provas reunidas seriam circunstanciais. O caso segue agora sob análise do Ministério Público.