O ensino da Ética não passa apenas pela aprendizagem teórica do conceito, mas também pelo exemplo, sendo fundamental o pensamento...
O ensino da Ética não passa apenas pela aprendizagem teórica do conceito, mas também pelo exemplo, sendo fundamental o pensamento crítico e a reflexão sobre o impacto das acções quotidianas.
Não poderá passar somente pela elaboração de um manual composto por um conjunto de instruções e regras.
A aprendizagem da Ética deverá passar por um processo contínuo ao longo da vida, mas que deverá começar desde logo no início do percurso escolar, através do ensino de conceitos simples que deverão passar pela separação clara entre juízos que vão entre o bem e o mal e o certo e o errado nas mais elementares acções da vida.
O psicólogo social norte-americano Jonathan Haid, que é professor de Liderança Ética na Stern School of Business da Universidade de Nova Iorque e autor da obra “Mente Justa” explica que não é possível pôr o conhecimento ético na cabeça dos alunos e esperar que o coloquem em prática após deixarem a sala de aula.
Não podia estar mais de acordo com esta postulação de Haid porque a promoção de comportamentos éticos não poderá passar apenas pela via do ensino directo nas salas de aula.
O ensino da Ética tem que ir obrigatoriamente muito mais longe, deverá capacitar os estudantes para o exercício da análise de hipóteses sobre comportamentos, avaliar as razões por trás desses comportamentos, assente em dilemas mais ou menos complexos.
Por sua vez, o falecido psicólogo norte-americano, Lawrence Kohlberg, um dos percursores de uma das mais influentes teorias sobre o desenvolvimento ético e moral, fala-nos que a nossa capacidade ética evolui em estágios, em função de uma aprendizagem que é acompanhada simultaneamente pelo processo de amadurecimento pessoal, passando numa primeira fase por um nível pré-convencional em que obedecemos para evitar a punição, atravessando posteriormente por um nível convencional, em que passamos a obedecer para cumprir regras sociais, culminando no nível pós-convencional, o mais difícil de atingir, em que agimos com base em princípios universais de justiça.
A educação pode fornecer o conhecimento, porém a vontade é sempre uma construção pessoal e social muito mais complexa. Tenho consciência que o ensino da Ética não garante cidadãos éticos, mas garante pelo menos que não possam alegar ignorância sobre as consequências dos seus actos.
(Por decisão pessoal, o autor do texto não escreve segundo o novo Acordo Ortográfico)